Preferia ter arrancado os olhos, mas me prometi ver pelo menos uma vez por semana essa novela para poder falar mal com propriedade.

O caminho para o coração de uma mulher é o desrespeito

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Seja ciumento, egoísta e insuportável. Nada é tão charmoso quanto um homem intragável, que ameaça seus filhos, desrespeita, bate e trata as mulheres como inferiores. Se nada disso funcionar, enterre vivo o pai da sua futura noiva. É batata.

 

Mulher nenhuma está completa sem ter sido mãe

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Conforme sabemos, essas maravilhosas criaturinhas não são exatamente racionais, mas isso porque sua real vocação é ser mãe. Pra isso elas são capazes de passar por cima de tudo e todos. E nada é tão atraente para as mulheres quanto um homem viril e procriador.

 

Lesbianismo é dança

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Ninguém sabia muito bem como funcionava essa coisa de sexualidade entre mulheres, até ver esta novela. Graças a ela aprendemos que sexo lésbico é dança. O que faz todo sentido, pois sexo sem piroca não é sexo, né.

 

Mas a maior piada sobre essa novela, na real, é ela existir. Sério, pensa nisso. O argumento do negócio é: mulher namora ex noivo de sua mãe que foi preso por enterrar seu pai vivo e depois virou flautista internacionalmente conhecido.

Eu riria alto, se a verdade verdadeira não fosse que Em Família foi um grande desserviço para todas nós.

E pode chorar, pode espernear e dizer que não vê novela, mas o mundo é maior que nós e isso é, sim, relevante. Quer provas? Então prestenção nesse estudo que chama Positive Female Role-Models Eliminate Negative Effects of Sexually Violent Media (Modelos femininos positivos eliminam os efeitos negativos de uma midia sexualmente violenta). Nele, o Christopher J. Ferguson estudou os efeitos sociais de personagens femininos, tanto nas mulheres quanto nos homens.

O resultado é que os personagens femininos afetam a reação emocional e o tratamento dado às mulheres da vida real. E afetam de um jeito bem mais sutil que imaginávamos. Por exemplo, personagens fortes, mesmo quando em situação de violência costumam causar menos efeitos negativos nos espectadores.

Por outro lado, homens que assistem programas com personagens mulheres submissas tem atitude mais negativa em relação às mulheres, enquanto as mulheres se sentem mais ansiosas com personagens assim, especialmente quando elas aparecem em situações de risco de violência sexual.

Então podemos tentar ver um lado positivo naquela cena grotesca de estupro lá do começo da novela, achar que ela visava conscientizar sei lá o que, mas a verdade é que ela não fez isso. Tanto a fragilidade da personagem quanto a extrema violência visual só fizeram com que as mulheres se sentissem mais suscetíveis, além de reforçarem ainda mais essa cultura criminosa.

E o pior é que não para aí. Rolou muita violência de cunho sexual que não apareceu reconhecida como tal, como fazer sexo com uma mulher alcoolizada e inconsciente ou as mil investidas violentas de Larte contra Luiza (e antes disso contra a mãe dela) que são tratadas apenas como um tipo de amor.

Não é amor, não, é misoginia, sim.

E poderíamos ficar semanas falando, já que acho que só consigo lembrar de uma personagem que não seja totalmente ferrada nessa trama (a Branca). Posso estar errada, mas isso faz parecer que o Maneco precisaria de pelo menos uns 40 anos de terapia para curar esse ódio contra mulheres.

Quem sabe, aí, teríamos o prazer de ver pelo menos meia dúzia de personagens femininos fortes e felizes.

Até lá, o único conforto nisto tudo é que amanhã esta novela acaba, amigas. E acaba com uma audiência baixíssima que deixa claro que: não compramos mais essas ideias erradas, não.

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