Eu sei, eu sei. Não existe nada mais classe média sofre do que reclamar da dificuldade de encontrar uma manicure, mas antes de revirar os olhos me escute.

 Fácil: não está.

Eu ia numa manicure ótima, até que um belo dia ela  me perguntou se podia fazer uma pergunta. Isso nunca é um bom sinal, se a pergunta fosse boa não precisaria de uma pré-pergunta pedindo permissão para ser perguntada, mas disse que tudo bem. Pode perguntar.

– Você já pensou em fazer redução de estômago?

– Não sei, você já pensou cuidar da sua vida?

E esse foi o fim do meu relacionamento com a manicure número 1.

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Tentei um outro salão na semana seguinte. Entre uma lixada e outra, começou um papo sobre filhos e todas as manicures começaram a fofocar sobre uma conhecida delas que está casada há cinco anos e ainda não engravidou. Será que é estéril? Será que o marido não dá no couro? Será que já engravidou e perdeu? Me meti na conversa.

– Pode ser que ela não queira filhos, né?

– Toda mulher quer ter filhos.

– Eu não quero.

– Então você está indo contra as leis de Deus.

Primeira e última vez que fui nesse salão.

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Minha terceira tentativa estava indo muito bem, até que chegou a filha da manicure. Treze anos, absurdamente linda. Todo mundo no salão começou a comentar a beleza da menina e a mãe disse: é, ela tá ficando muito bonita mesmo, vou ter que encher de comida pra engordar e não dar trabalho. 

Desisti e comecei a fazer a unha em casa.