Vou falar como mãe de adolescente e para mães de outras crianças e adolescentes: precisa haver uma responsabilização pelas violências que os filhos cometem em ambiente escolar.

É violência, sim, o nome.

Chamar de vagabunda, vadia, piranha, puta e afins uma menina de 10, 11, 12 anos é inadmissível. É inadmissível em qualquer idade, mas usar esses termos pra atacar meninas tão jovens que sequer começaram suas vidas sexuais me tira do sério.

Chamar uma criança negra de “macaco” não é só inadmissível. É criminoso. Falar mal de cabelo crespo dizendo que é “ruim” não é “gosto”, é racismo.

E me deixa louca a reação de alguns pais e mães: “era brincadeira”. Não, senhor, não era brincadeira. É violência que seus filhos estão cometendo e cabe a vocês, a nós, ensiná-los. Quando alguém aponta isso não é dizendo que seu filho é uma pessoa horrível e você um progenitor irresponsável; é porque o seu papel é educar pra que seu filho não se torne um misógino racista no futuro. Quando alguém aponta isso está querendo ajudar para formar uma sociedade melhor, e não acusar seu filho injusta e gratuitamente.

Nossos filhos não são criados em bolhas. Parte do que aprendem vem de nós e parte do que aprendem vem do meio que frequentam, sua escola, seus amigos. Não adianta achar que você é a única fonte de aprendizado das crianças e adolescentes; eles absorvem e filtram como podem.

Se o seu filho está sendo machista, racista, homofóbico, capacitista, gordofóbico na escola, não trate como “brincadeira”. Sim, ele pode ser só uma criança, e é justamente agora que precisa aprender a respeitar as pessoas e parar de reproduzir o que essa sociedade doente espalha. Se as crianças aprendem errado, estamos aqui para ajudá-las a acertar, não é?

Não é normal, não é brincadeira. Pode não ser sua culpa, mas é sua responsabilidade. Sua, minha e da comunidade onde seu filho vive.

diversidade

Ninguém nasce sabendo educar; mas podemos aprender juntos.

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