O famoso telescópio Hubble, um símbolo e um ícone para a astronomia mundial, faz aniversário agora em abril. Em 24 de abril de 1990, o telescópio foi colocado em órbita, com a premissa de abrir nossos olhos para o grande universo que nos rodeia. Os problemas iniciais de operação, onde uma arriscada e ousada missão foi feita para consertar as lentes do Hubble, não tiraram o brilho de suas descobertas. O telescópio Hubble popularizou a astronomia com suas imagens estonteantes de galáxias, nebulosas e planetas.

Telescópio Hubble

Telescópio Hubble

O Hubble está estacionado na órbita da Terra, à uma altitude de 559 km, com 2.4 m de diâmetro. Recebeu esse nome em homenagem a Edwin Powell Hubble, que revolucionou a Astronomia ao constatar que o Universo estava se expandindo. Poucas semanas depois do lançamento, assim que as imagens voltaram, ficou evidente que havia algum problema no sistema óptico. O defeito era no espelho principal, construído de forma errada, mesmo com toda a precisão necessária para sua confecção. A imprensa mundial não perdoou. O Hubble virou motivo de piada e foi até comparado ao Titanic.

Mas pouca gente conhece o nome de Nancy Grace Roman, astrônoma e que foi a primeira executiva mulher da NASA. Educadora e ativista pela presença de mais mulheres na ciência, Norman teve um papel central no planejamento do telescópio. Criada em uma época em que as mulheres eram fortemente desencorajadas a buscar uma carreira nas ciências (e ainda são em algumas áreas), ela obteve seu PhD em astronomia pela Universidade de Chicago, em 1949 e juntou-se à NASA em 1959. Sua principal ambição era descobrir estrelas e estudar a natureza delas. Já em 1959, Norman escreveu um artigo sobre a busca por exoplanetas (planetas fora do sistema solar), algo que só foi confirmado nos anos 90.

Nancy Grace Roman. FOTO: NASA

Nancy Grace Roman. FOTO: NASA

Ela foi a primeira chefe da Astronomia no Escritório de Ciências Espaciais da agência. Foi chefe da Astronomia e da Física Solar de 1961 a 1963, entre outros cargos de importância, como chefe da Astronomia e Relatividade. Esteve diretamente envolvida em grandes projetos da NASA como o Gemini, as missões Apollo e o Skylab. Quando a ideia para um telescópio espacial chegou à sua mesa, no começo dos anos 60, ela achou que, tecnologicamente, era inviável. Mas nos anos 70 ficou evidente que era possível levar a missão adiante e se tornou sua principal defensora e articuladora.

Ainda lembro de perguntar à minha professora no ensino médio se eu podia ter um segundo ano de álgebra ao invés de mais um de latim. Ela me olhou de cima abaixo e disse: o que uma mocinha faria com matemática ao invés de latim? Esse era o tipo de recepção que eu recebia a maior parte do tempo.

Nancy encontrou-se com astrônomos por todo o país, com engenheiros da NASA e juntos eles decidiram sobre como o telescópio deveria ser, quais instrumentos deveria carregar, o que os engenheiros achavam ser possível e liderou os esforços da agência durante anos para elaborarem um projeto viável e que fizesse sentido. Todos os astrônomos que fizeram suas carreiras com base nas descobertas do Hubble a chamam de “mãe” do telescópio e afirmam que sem sua visão ele não teria sido possível.

Os Pilares da Criação, uma das mais impactantes imagens obtidas pelo Hubble, encontra-se na Nebulosa da Águia, que fica há 7 mil anos-luz da Terra. Hoje, eles não existem mais.

Os Pilares da Criação, uma das mais impactantes imagens obtidas pelo Hubble, encontrava-se na Nebulosa da Águia, que fica há 7 mil anos-luz da Terra. Hoje, eles não existem mais.

Atualmente Nancy tem 86 anos, está aposentada da NASA e passa seus dias ensinando ciência às meninas em escolas públicas. Ela espera poder tirar a timidez destas meninas e estimulá-las a buscar as estrelas como ela fez.

Um dos motivos pelo qual eu gosto de trabalhar em escolas é convencer às moças que elas podem ser cientistas e que ciência pode ser divertida.

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