Nós já falamos muito sobre beleza e feiura. Mas, desculpa, vamos falar até que todos entendam: mulher não é bibelô.

Recentemente Daniela Ospina, casada com o jogador de futebol James Rodriguez, rebateu as críticas que recebia nas redes sociais por ser feia com a seguinte imagem.

dani_ospina

Desculpa não suprir tuas expectativas, minha prioridade é suprir as minhas <3

Parece piada, mas a obrigação de mulheres que são figuras públicas segue sendo a beleza.

Não sei vocês mas tem, pelo menos, umas 20 coisas que acho mais relevantes nas pessoas (e em mim) que beleza. Delicadeza, empatia, senso de justiça, senso de humor, inteligência, curiosidade, sorriso sincero, cachorro quente de rua, etc.

Só que, por exemplo, quando eu me posiciono contra alguma medida política da presidente Dilma, sempre vai ter um comentário chamando ela de feia (possivelmente sem nem saber do que se trata a dita medida).

Não vou nem repetir que “grandes merdas isso de beleza“, mas vou pedir que vocês pensem um pouco sobre isso aqui comigo.

Sei que todo mês as bancas (tanto nas revistas femininas quanto masculinas), a TV e o convívio social estão sempre pontualmente cheios dessa reafirmação de que nós mulheres somos enfeite.

Por isso eu sigo achando que, pra combater padrões de comportamento e julgamento opressivos de fora, precisamos começar por dentro. Nosso censor interno costuma ser uma criatura medonha, nutrido em chorume e cagação de regra, se alimentando de mulheres inseguras, em constante dieta para emagrecer ou engordar, lutando para caber na roupa, parecer mais jovens, mais despreocupadas.

Fodasse.

Não tou sugerindo que ninguém abdique da vaidade, mas vamos colocar as coisas nas devidas proporções. Cremes, roupas, cortes de cabelo podem ser divertidos, mas não podemos deixar que eles definam quem somos. Nem nas revistas nem nas nossas cabeças.

E aí voltamos para as mulheres públicas.

Julgar beleza e feiura nelas é basicamente dizer que não importa quão relevantes ou quão boas/ruins elas sejam no que estejam fazendo ou defendendo. O que importa é o que elas aparentam. E muita gente ganha com essa infantilização, mas (pra quem ainda não notou) nenhuma delas é mulher.

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