Fui uma criança e adolescente magra. A primeira vez que alguém me chamou de gorda, ou pelo menos a primeira que me lembro, foi em 2004 sendo bêbada e jovem num albergue em Buenos Aires. Naquela época o mundo era um lugar sem wifi, então para usar a internet você precisava usar um único computador que fica disponível para os hóspedes na recepção.

Uma noite alguém esqueceu o Facebook logado e comecei a conversar com um desconhecido que estava online. Ficamos de flerte falando várias baixarias até o amigo dele dono do perfil voltar e reassumir o computador. Encerrei o papo com o broto e fui viver.

Um tempo depois fui olhar meus emails, vi que a conversa dos dois ainda estava aberta e resolvi ler o que falaram depois que saí.

– Cara, ela é muito gorda.
– Que merda, ainda bem que você me avisou. Mas quão gorda?
– Muito gorda.
– Que nojo.

Não vou dizer que não me abalou, eu com meus 20 aninhos achando que estava arrasando mas sendo chamada de nojenta pelas costas. Isso me ensinou algo muito importante e nunca mais fui a mesma. Não, não aprendi que era gorda. Isso eu já sabia. Aprendi que o mundo está cheio de pessoas completamente babacas.

Ao ler que era uma gorda nojenta, não senti raiva de mim ou vergonha do meu corpo. Fiquei apenas enfurecida com a babaquice desses caras. Primeiramente, nojento é bater na mãe porque a janta não tá pronta. Em segundo lugar, quem se importa, cara? Estava só jogando conversa fora de brincadeira com um desconhecido que jamais encontraria na vida real. O que importa pra ele se eu sou gorda ou magra? Foi só um chat no Facebook, cara. Relaxa. Não estou pegando um avião pra ir roubar a sua comida e sentar em cima de você.

Até hoje quando penso nessa história penso apenas “meu deus, que babacas.”

E é isso que eu quero tentar ajudar que você faça com esse post. Quero que você lembre de cada pessoa que te fez sentir mal pelo seu corpo e pense “que babaca”.

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