Hoje, 29 de agosto, é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e Bissexual.  Uma singela homenagem a todas essas mulheres lindas, em um ensaio muito especial e cheio de amor do coletivo Além, do qual faço parte.

Com esse post também inauguramos a parceria entre o Além e o Lugar de Mulher.

 

além

 Quando eu tinha 10 anos eu cheguei a pensar que não estava certo eu gostar de mulher, portanto eu deveria trocar de sexo, aí estaria certo. A religião me reprimia sexualmente, eu achava que tinha algo muito errado em mim, e não conseguia transformar isso. Mas quando caí em mim percebi que o necessário pra eu ser feliz é ser o que sou independente do que os outros falam, e isso me torna uma pessoa mais forte, mais bela, independente de padrões”.

“O preconceito é perigoso pra própria pessoa, pois ela não está sendo ela mesma, e provavelmente gostaria de ser aquela pessoa que está discriminando. O Deus do Velho Testamento, por exemplo, deve ter ficado com inveja: ‘pô, eu não tô participando dessa orgia, vou destruir tudo.’

Aline, 20 anos.

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“Na escola foi tranquilo, já na sétima série eu ficava com meninas, e a galera achava super legal, era uma coisa muito nova. Hoje em dia as pessoas comentam na rua, gritam, chamam de sapatão. Aí eu penso: uau, obrigada por me avisar pessoa, eu não sabia. Na verdade sofro muito mais preconceito por ser negra do que por ser lésbica. Entro nas lojas com minha irmã branca e as pessoas acham que vou roubar. As pessoas me olham muito feio porque eu sou negra, mas não por ser careca ou por estar com outra menina. Eu nasci assim, não posso mudar isso, nasci negra vou morrer negra, é minha condição. As pessoas ficam mais assustadas de pensar “nossa, essa menina negra tá com a menina branca” do que de pensar “nossa, duas meninas juntas”.

Bruna, 21 anos.

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“A gente se conheceu no tinder, não é algo muito romântico. Aí eu tava lá: não, não, não. Aquele mar de opções, como se você estivesse em um fast-food, tipo “esse hambúrguer eu não quero, nem esse, ahh esse eu gostei, parece muito gostoso, vou experimentar”. Aí gente começou a conversar e não parou mais, e quando a gente se viu pessoalmente foi um outro conhecer.
A gente ficou conversando, conversando, conversando. Aí eu tentei beijar ela, e ela super desligada achou que eu ia beijar o rosto. Pensei: nossa, acho ela não gostou, só quer a minha amizade. Mas a gente continuou conversando. Aí eu falei: “desculpa por ter tentado te beijar, fui meio invasiva”. E ela disse: “meu deus, eu estou com a cara no chão. Eu não sabia, eu não queria que você pensasse que era um fora”.
Até o segundo encontro, que aconteceu tudo, e tudo vem acontecendo até então”.

Aline e Bruna <3

 

O ensaio completo você pode conferir aqui.

 

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