Orange Is The New Black, a série que 8 entre cada 10 leitoras estava esperando, voltou com a terceira temporada (vulgo S03). E ela tem muito para nos ensinar sobre empatia. Separei minhas lições preferidas, dos episódios 1 até 6 [se tu ainda não viu: evite, tem SPOILER pra caramba].

1. Eu me recuso a ser invisível

invisivel(episódio 4)

Nessa temporada Big Boo está com tudo e é responsável pelos momentos mais memoráveis e emocionantes (pelo menos até agora)! Finalmente aprendemos mais sobre a história de vida dela antes da cadeia e, com isso, simplesmente temos um belíssimo ensinamento sobre o que quer dizer invisibilidade lésbica, de um jeito bastante cotidiano e que a maioria de nós já viveu ou ouviu falar (mas não menos terrível). Desde pequena confrontada sobre seu jeito de vestir, ela tem uma fala que é praticamente um manifesto de me larga que não sou teus bibelô, além de deixar bem claro o que é privilégio e como acontece. O pai dela diz: “Eu entendo que, o que quer que seja isso, é importante para ti. Mas é uma fantasia. Só isso. Ninguém tem o privilégio de ser quem é o tempo todo”, e ela responde, imortal e maravilhosa:

Eu tenho tido que lutar toda a minha vida, pai. Toda a minha vida – estranhos, namoradas, porra, até meus pais – todos me pedindo para ser uma coisa que eu não sou. Tu tem ideia como é isso? É como se toda a porra da tua existência fosse negada. ‘Seria melhor se tu fosse invisível’. Eu me recuso a ser invisível, papai. Nem por ti, nem pela mamãe, nem por ninguém.

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2. Nós não somos iguais

humanos(episódio 6)

Red tenta conseguir o que quer seduzindo Healy, que descobre e se sente enganado. Ao conversarem sobre isso, ele diz que ela podia ter pedido educadamente, porque: “Eu sou uma pessoa. Nós somos humanos”. O que decorre disso é uma fala de Red que funciona como uma bela metáfora para explicar falsa simetria e relações de poder entre homens e mulheres:

Ninguém aqui é gente. Tu acha que esse é um relacionamento normal? De humano pra humano? Eu tiro vantagem de ti, tu tem teus sentimentos feridos. Tu esquece que, quando sair daqui hoje de noite, vai me deixar trancada (…) Tu tira o poder da mulher: seu trabalho, sua família, seu dinheiro. Tu só deixa a mulher com uma moeda de troca… aquela com a qual ela nasceu. Pode ser indecente e humilhante, mas se ela precisar, ela vai usar.
*suspiro*
Mas tu tá certo. Teus sentimentos também importam.

Explicando a metáfora: homens e mulheres não partem da mesma premissa porque, na maior parte das vezes, somos tratadas como menos que humanas. Então qualquer insinuação sobre violência de mulheres contra homens traz uma falsa simetria, já que magoar sentimentos não é o mesmo que matar.

Mas, sim, os sentimentos importam. Só que as questões mais básicas da vida sempre importam um pouco mais, né não?

3. Aborto legal para não morrer (nem matar)

aborto(episódio 1)

Eis novamente Big Boo protagonizando um dos grandes momentos da série, ao explicar para sobre aborto legal da perspectiva humana e política para Tucky usando a teoria do best-seller Freakonomics:

Eles tem esse capítulo no livro, “Para onde foram todos os criminosos” porque nos anos 1990 a taxa de criminalidade caiu espetacularmente e esse livro atribui isso… aos abortos (legais) que aconteceram depois de Roe v. Wade, essas eram crianças que os pais não queriam. Crianças que, se suas mães tivesem sido forçadas a ter, teriam crescido pobres, negligenciadas e abusadas – os 3 ingredientes mais importantes para produzir um criminoso. Mas eles nunca nasceram. Então, 20 anos depois, quando eles teriam idade para estar na vida do crime, eles não estavam lá.

(…)

…Tu era uma branquela pobre viciada e teus filhos, se tivessem nascido, possivelmente seriam o mesmo. Então, ao interromper essas gravidez tu poupou a sociedade da tua prole. Quer dizer, quando tu pensa sobre isso… é uma benção.

Big Boo, please come to Brasil, tamos precisando taaanto de ti aqui <3

(sobre esse monólogo lindo e necessário também escreveram Mashable, Jezebel e TechTell)

4. Mulherzinha

mulherzinha(episódio 4)

Uma coisa maravilhosa em OITNB é que a série está constantemente quebrando e questionando com os grandes estereotipos associados com a mulher. Nessa temporada (tudo indica) o contraponto machista será trazido pelos executivos interessados na privatização da cadeia. O mesmo executivo que diz “Essa é a melhor coisa dos homens, eles não tem úteros” (ao ver Daya grávida) pergunta para Piper: “E tu vai conseguir consertar isso, querida?”, ao que que ela responde, certeira:

Claro que consigo, se eu me concentrar bastante com meu cérebro de dama.

Toma, trouxa. Ela é um indivíduo e não uma dama, carai.

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Bom, por enquanto é isso. Quando terminar de ver volto aqui e falamos do resto dos episódios. Até lá: pra quem quer ler mais sobre, a Clara fez um belo post aqui. E pra quem ainda não viu e quer começar, OITNB é um seriado do Netflix e pode ser assistido por lá.

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