As meninas não usam camisinha. Ou melhor, até usam, mas em geral quando os meninos impõe. E eles, sabemos, não curtem muito preservativo.

Diversas pesquisas revelam que as adolescentes relutam em exigir o uso da camisinha nas relações sexuais. E há vários motivos para isso.

camisinha

A adolescência é um período de incertezas e descobertas. As mudanças físicas, psicológicas e comportamentais pelas quais os jovens passam nessa fase são intensas. Se iniciar a vida sexual é difícil para os meninos, criados para serem machos e viris, imaginem para as meninas, ensinadas a controlar e por vezes negar a própria sexualidade.

O resultado é que 40% das meninas entre 14 e 25 anos não usam preservativos. Um terço dessas jovens (32%) já engravidou; 12,4% sofreram abortamento espontâneo ou provocado. (Fonte: II Lenad, 2012.)

As mulheres, além do risco de engravidar, são mais suscetíveis, por questões anatômicas, a contrair doenças sexualmente transmissíveis nas relações heterossexuais. E o risco de gerar outra vida é, muitas vezes, assumido apenas pelas meninas, que têm de se virar para conseguir abortar ou criar o filho do rapaz que se nega a usar preservativo.

Não à toa, a infecção pelo HIV vem crescendo entre as adolescentes de 13 a 19 anos. Desde 2006, o número de meninas entre 15 e 19 anos infectadas pelo vírus vem aumentando. (Fonte: Ministério da Saúde, 2016).

Sabemos que as meninas são criadas de maneira diferente dos meninos. Enquanto estes são estimulados a praticar sexo desde muito novos, elas aprendem que não devem demonstrar desejo. Essa diferença, é claro, também aparece mais tarde, na hora de exigir a camisinha.

Como esperar que a jovem, depois de aprender que é preciso esconder seus desejos sexuais e ser cordata e submissa, de repente passe a se impor e exigir o uso de preservativo? Como querer que ela seja responsável se não lhe damos ferramentas para que exerça a liberdade sexual de que vai dispor no futuro?

As meninas só vão se proteger se sentirem-se seguras e valorizadas. Para isso, precisamos falar de sexo com elas desde cedo, ensinar-lhes que se respeitar não é negar seus desejos nem seguir uma cartilha de comportamentos e sim saber estabelecer relações saudáveis, em que suas vontades sejam acatadas.

É necessário que entendamos, de uma vez por todas, que as meninas também têm desejos e que, de uma forma ou de outra, eles serão expressados. Resta saber em que condições queremos que isso aconteça.

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