Essa semana o Atlético Mineiro resolveu que era importante lançar sua nova coleção de camisetas com modelos seminuas, decepcionando todos que achavam que essa ideia idiota tinha sido superada com a falência da American Apparel (que não lucra desde 2009, grazadeus).

Não contente em ignorar suas torcedoras, pisotear sua fama de inclusivo ou objetificar mulheres da forma mais tonta possível, eles ainda responderam o seguinte, através de Domenico Bhering, diretor de comunicação do clube:

O Atlético respeita o direito democrático das pessoas de discordarem, mas isso não significa que temos que concordar com as críticas. Não iremos responder a isso. Não houve excesso, nem atitude machista.

atletico-sendo-machistaSerá?

porra-galoCerteza?

atletico-carasNão mesmo?

Ocorre que a gente nem sempre se da conta, mas às vezes (↑↑↑↑) fica apenas óbvio que desfiles, anúncios e afins não estão só apresentando uma, por exemplo, camiseta nova. Eles estão apresentando valores agregados, coisas que pretendem nos fazer querer comprar/ser aquilo que está sendo apresentado. Ou seja, assim como já fazem tantas marcas de cerveja, o valor agregado apresentado pelo Galo é o corpo das modelos (chama objetificar).

E fodasse o desconforto das torcedoras, como disseram as maravilhosas do Dibradoras:

Não há aqui o que se discutir sobre as modelos. Estavam ali fazendo a função para a qual foram contratadas. Há que se discutir O modelo. Apresentar um uniforme dessa maneira atrairia mulheres para comprá-lo? Atrairia mais homens? Há controvérsias nos dois sentidos.

Mas também há uma certeza: apresentar as novas camisas dessa forma reforça a maneira como o futebol nos enxerga: como mero corpo sensualizado.

Prosseguindo e fortalecendo ainda mais sua visão equivocada, Domênico completou:

Há quinze anos agimos dessa forma, e essa foi a festa mais elogiada. Não há porque mudar algo que vem dando certo há esse tempo.

Poisé, meu caro, mas o mundo gira e quem fica parado é poste. Nos últimos quinze anos muitas coisas mudaram e muitas mais irão (basta googlear o nome do clube para ver que as reações estão longe de ser apenas elogiosas).

Essa dificuldade em ver a mulher como público e não produto me fez pensar nas relações mentais totalmente equivocadas que alguns tipos ainda fazem entre mulheres e roupas.

Tem o estilista, que é o autor da celebre frase: “mulher minha não sai com essa roupa”, ou seja, o sujeito que se acha no direito (e a altura) de controlar e decidir o que uma mulher pode vestir. Tem também o clichezão, que adora dizer que sapatos são os melhores amigos das mulheres (pelo menos eles não reclamam de friendzone) e que mulheres demoram muito se arrumando. Além disso tem o nojinho que toda oportunidade manda a mulher “pro tanque” (o nojinho é menos smart que minha máquina de lavar roupa). O nojinho me desperta especial curiosidade pelo horror que parece sentir diante da sua própria sujeira. E, por fim, o naturista que pensa em moda e em mulher e PAFE: já quer sensualizar o corpo alheio.

O que esses e tantos outros tipos tem em comum é que se recusam a ver as mulheres pelo que são: humanas. Seres humanos tem autonomia (inclusive no que vestem, consomem, e no time pelo qual torcem), não se dedicam a viver apenas como bibelôs e, acima de tudo, humanas podem gostar de esportes, ser torcedoras dedicadas, jogadoras foda e demandar ser tratadas com a mesma dignidade dirigida aos demais torcedores (é o mínimo, afinal).

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