O Homo naledi é o mais novo membro da família humana. Descoberto em 2013, mas anunciado apenas agora, em 2015, ele tem características de Australopithecus, podendo ser a mais antiga espécie do gênero Homo. Ele foi descoberto dentro do sistema sinuoso de câmaras na Caverna Rising Star, Patrimônio Mundial, que fica 50km de Joanesburgo, na África do Sul.

Hannah Morris, Marina Elliott, Becca Peixotto, Alia Gurtov, Lindsay Eaves e Elen Feuerriegel rastejaram e se esgueiraram na Rising Star por 21 dias. Fonte: Mary Sue

O novo membro da família humana tem estatura e massa corporal pequenas, com um pequeno volume endocranial. Foram 1550 ossos e fragmentos de 15 indivíduos diferentes, com bebês, adultos e idosos. A equipe acredita que existam mais ossos e o fato de estarem todos juntos demonstra algum tipo de comportamento ritualístico, algo notável, pois eles são muito anteriores ao Homo erectus, por exemplo.

Como o sistema de passagens da Rising Star é extremamente estreito, cerca de 25cm de largura, algumas com apenas 20cm, a equipe que entrou e explorou as passagens era inteiramente composta de mulheres. Selecionadas pela pequena estatura e com experiência em cavernas, são Hannah Morris, Marina Elliott, Becca Peixotto, Alia Gurtov, Lindsay Eaves e Elen Feuerriegel.

O local da descoberta. Fonte: The Guardian

A expedição, financiada pela National Geographic Society e pela Fundação Nacional de Pesquisa da África do Sul, abriu um processo seletivo, onde 57 pessoas se inscreveram, para participar da exploração na Rising Star. Nenhuma delas foi paga para rastejar por 20 minutos até o local dos fósseis, mas não reclamaram, já que fizeram parte de uma descoberta surpreendente.

Era possível sentir a pressão das rochas dos dois lados. (…) O lugar ficava lotado, não havia muito espaço, então tínhamos que coordenar posições de ioga em determinados momentos para podermos trabalhar todas de uma vez.

Tínhamos que, muitas vezes, trocar a posição das pernas pra que você não ficasse cansada ou com os membros dormentes e tínhamos que nos mover com bastante delicadeza sobre o pequeno afloramento para que pudéssemos atravessar sobre os fósseis sem esmagar nada.

Eu realmente não tenho palavras para descrever o quão incrível foi estar envolvida com isso. Sinto como se fosse o ápice de tanto esforço coletivo.

Elen Feuerriegel, doutoranda em mecânica evolutiva

Homo naledi e os fragmentos encontrados na Rising Star. Fonte: National Geographic.

Praticamente todas as reportagens e notícias que saíram sobre o Homo naledi trazem a fala do líder da expedição, Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand de Johannesburgo. Mas não podemos esquecer destas mulheres que entraram e se esgueiraram por passagens estreitíssimas para recolher os fósseis. E elas trabalharam sem receber, pelo puro prazer de participar da expedição.

Apagamento de mulheres na ciência não é novidade e apesar de vermos avançados a respeito, este é mais um exemplo de como o trabalho de mulheres fica em segundo plano, especialmente em grandes momentos da ciência contemporânea. Elas já foram escolhidas simplesmente pelo fato de serem mulheres, pelo tamanho pequeno. Precisam ter seus nomes conhecidos.

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