A Veja, né, migas? O post poderia acabar aqui pois só um “ai, a Veja” geralmente já diz tudo, mas vamos lá.

(Só um alívio cômico antes de começar o assunto sério, uma vez pedi pra um amigo que estava indo no mercado comprar uma Veja e ele me apareceu com uma revista, não com um limpador multiuso.)

A Veja publicou essa semana um texto muito asqueroso sobre a vice-primeira dama chamado  Marcela Temer: bela, recatada e “do lar”.

Até aí mil vômitos, muita gente revoltada com a revista exaltando esse tipo de mulher (as belas, recatadas e do lar) como o ideal, diferente de certas Dilmas e tal. Quando me contaram meu sangue também ferveu, Clara me mandou o link e eu respondi “não vou nem ler pra não me matar”.

Mas daí hoje eu resolvi ler e percebi que a matéria,  ao contrário do que achei ouvindo os comentários de todo mundo, na verdade não tá dizendo que Marcela Temer sim é mulher de verdade, está apenas fazendo um deboche bem discreto, retratando Marcela como pistoleira fútil 43 anos mais jovem que o marido que deu um belo golpe do baú cafetinada pela mãe ainda adolescente.

“Bacharel em direito sem nunca ter exercido a profissão, Marcela comporta em seu curriculum vitae um curto período de trabalho como recepcionista e dois concursos de miss no interior de São Paulo (representando Campinas e Paulínia, esta sua cidade natal). Em ambos, ficou em segundo lugar.”

“Marcela é uma vice-primeira-dama do lar. Seus dias consistem em levar e trazer Michelzinho da escola, cuidar da casa, em São Paulo, e um pouco dela mesma também (nas últimas três semanas, foi duas vezes à dermatologista tratar da pele).” 

“Marcela permanece em São Paulo, quase sempre na companhia da mãe. Sacudida, loiríssima e de olhos azuis, Norma Tedeschi acompanhou a filha adolescente em seu primeiro encontro com Temer.”

Dava praticamente pra terem botado um NOT! depois do “bela, recatada e do lar”.

Tá, mas que diferença faz se o texto foi irônico ou não? (E sei que a grande maioria vai discordar dessa minha leitura.) Não muita, pois no final a mensagem da Veja acaba sendo horrorosa de qualquer maneira – existe um jeito correto de ser mulher – mas acho que ao mesmo tempo em que dizemos “Ei, Veja, foda-se ser bela, recatada e do lar” deveríamos também estar dizendo “Ei, Veja, foda-se ficar julgando mulheres pelas escolhas que elas fazem na vida”.

Pois lugar de mulher é onde? Isso mesmo, onde ela quiser. No lar, no bar ou dando golpe do baú se assim desejar.