Cate Blanchett.

Só isso já seria um bom motivo para ir ao cinema assistir ao “romance do ano”, como divulga sua distribuidora no Facebook. Carol, estrelado pela atriz em uma de suas melhores atuações, se é que é possível afirmar isso sem ser injusta com as demais personagens de sua carreira. Ela divide a tela com Rooney Mara, jovem atriz que também tem participado de projetos interessantes, como Her e a versão hollywoodiana de O Homem que Não Amava as Mulheres.

Carol_Credito Mare Filmes1

Dirigido pelo detalhista Todd Haynnes, o filme é uma obra prima bem classuda, com interpretações extremamente precisas e eficientes, sutilmente viscerais, roteiro redondinho, trilha sonora no ponto, tudo no lugar. Até a paleta de cores parece um personagem à parte.

A história de duas mulheres que se apaixonam na NY dos anos 50 pode parecer simples e clichê numa primeira e rasa leitura, especialmente se você escolhe o filme pelos resuminhos dos guias: Therese (Rooney Mara), uma jovem que trabalha na sessão de brinquedos de uma loja de departamentos, conhece Carol (Cate Blanchett), uma mulher charmosa, misteriosa e mais velha. Já no primeiro encontro sentem uma atração, seguida de sentimento mais profundo.

Filmes com duas belas mulheres que se amam costumam gerar aquela inquietação habitual, seja da turma hetero, seja da turma homo, seja da turma bi. Elas vão se beijar de verdade? E sexo? Vai rolar? Porque depois de Azul é a Cor Mais Quente, a expectativa da galera é sempre uma putariazinha básica – e bem feita, bem fotografada, como nesta perolazinha do cinema francês.

Pois digo o seguinte: Carol é mais. Para além da umidade pubiana (essa foi boa, heim?), o filme te tira o fôlego, te acelera e aperta o peito porque fala de amor dos bons. Daquele amor apaixonado – Sim! Amor apaixonado! – que te explode, te muda, transcende. E, embora Cate Blanchett esteja soberba, é Rooney Mara que garante os melhores momentos neste quesito, com uma curiosidade astuta e faceira de-li-ci-o-sa. E tudo ali, na respiração, no olhar, no corpo retraído e tímido, mas firme, forte e decidido.

E pra quem tá na vibe “Primavera das Mulheres”, vá com o coração preparado. Na minha opinião, a adaptação pra telona do livro “The Price of Salt”, da Patricia Highsmith, é praticamente um manifesto feminista, com personagens que em toda oportunidade questionam essa nossa heteronormatividade compulsória de todos os dias.

Como curiosidade, cabe contar ainda que a norte-americana Patricia Highsmith é autora de outro livro que também virou filmão: O Talentoso Ripley. Importante registrar que era lésbica e “The Price of Salt”, depois relançado como Carol, foi uma obra corajosa para o ano que chegou às livrarias, em 1953, abordando um romance entre duas mulheres inspirado na vida da autora. À época, foi lançado sob um pseudônimo.

Quer mais? Cinco indicações ao Globo de Ouro e mais seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz (Cate Blanchett), Melhor Atriz Coadjuvante (Rooney Mara) e Melhor Roteiro Adaptado. Sugiro que assistam!

Confiram o trailer:

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