[AVISO DE GATILHO, MAS COM FINAL FELIZ]

Depois de ter sua intimidade exposta e sofrer chantagem, Emma Holten retomou as rédeas, se colocando como sujeito sexual, para deixar de lado o passado como objeto.

Nós já falamos aqui sobre consentimento, sobre a dificuldade de alguns estrumes humanos em entender consentimento e sobre formas de lidar com o que esse tipo de exposição pode causar.

Revenge porn, e qualquer outro tipo de exposição de intimidade sem o consentimento da pessoa, são apenas mais um sintoma de misoginia. Sexualidade deveria ser algo bom e divertido, não uma manifestação de ódio. Quem não consegue entender isso tem muito para aprender com o Consent Project, da Emma Holten.

Tudo começou assim: em 2011 ela acordou com sua caixa de email lotada de fotos da sua intimidade que estavam sendo divulgadas, sem o seu consentimento, por um ex namorado homenzinho de merda. Junto com as imagens (em algumas dela Emma era menor de idade) estavam mensagens escrotas como essa (escritas desse jeito ridículo, mesmo):

TEUS PAIS SABEM QUE TU É UMA VAGABUNDA?

TU FOI DEMITIDA?

QUAL A HISTÓRIA POR TRÁS DISSO?

QUEM FEZ ISSO CONTIGO?

ME MANDE MAIS NUDES OU EU VOU ENVIAR ESTES PRO TEU CHEFE

Cansada de ver sua sexualidade saudável sendo usada como algo ruim, a Emma se deu conta de uma coisa que a maioria de nós também já percebeu:

Essa dinâmica é lugar comum online e é uma manifestação concreta de um discurso maior em torno do corpo feminino, a noção de que é erótico sexualizar alguém que não esta ciente disso. Nós todas conhecemos as representações: professora/estudante/enfermeira/garçonete/médica sexy. Todos os empregos, quando realizados por mulheres, podem ser sexualizados. O que é sexy não é o trabalho, nem sequer a mulher, mas o fato de que enquanto a mulher está trabalhando, tu está secretamente sexualizando ela.

Ela se torna propriedade pública só por existir?

Decidida em retomar sua intimidade, ela pediu para ajuda para sua amiga e fotógrafa Cecília Bodker. A ideia: reescrever a história do próprio corpo e conseguir se ver nua e enxergar, novamente, um ser humano.

emma

consentimento

emma cecilia

A ideia do projeto é voltar a ser um sujeito sexual e não apenas um objeto. Ela diz:

Eu não tenho vergonha do meu corpo, mas ele é meu. Consentimento é chave. Assim como estupro e sexo não tem nada a ver um com o outro, fotos trocadas com e sem consentimento são coisas totalmente diferentes.

Ela também conta que muitas jovens e mulheres já a procuraram falando que se sentiram inspiradas e empoderadas. Como se o projeto fosse não só sobre ela, mas sobre todas nós, sobre a retomada do que é nosso por direito, do nosso corpo, da nossa sexualidade, do nosso poder de escolha.

Inclusive, obrigada Emma e Cecília, pois eu me senti assim. E vocês?

Aqui tem mais imagens.

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