Dia desses eu estava num restaurante e uma mulher na mesa ao lado olhou pra mim, olhou para o meu prato, e daí disse para a amiga “nossa, desse tamanho e almoçando”.

Obviamente caguei e segui normalmente com o meu dia porque se for me abalar com cada desaforo que escuto na rua não vou fazer mais nada da vida, mas agora li uma notícia que me lembrou disso.

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Vamos começar a chamar as coisas pelo nome delas? Cintia não começou uma “dieta radical”, ela desenvolveu um transtorno alimentar. Com 50 ou 100 quilos, viver à base de suco consumindo apenas 400 calorias é uma disfunção. Na pessoa com 50 quilos a gente chama de anorexia. Na pessoa com 100 a gente chama de FORÇA DE VONTADE. Se não tivesse morrido, Cintia estaria sendo aplaudida e servindo de exemplo. “Tá vendo? É só fechar a boca!”, alguém diria compartilhando o link da história de sucesso dela.

A disfunção da Cintia começou após ouvir que era gorda e não conseguiria nada na vida, mas poderia muito bem ter sido após ouvir “gorda desse jeito e almoçando”.

Se eu tivesse confrontado a mulher no restaurante ela provavelmente teria respondido com o clássico imagina, eu só estou preocupada com a sua saúde, como tantas outras pessoas já fingiram se preocupar antes. Então, para quem anda por aí mandando pessoas gordas pararem de comer por preocupação com o bem-estar delas, não custa lembrar mais uma vez:

1) Não almoçar não é saudável para ninguém, não importa o peso.

2) Saúde mental também é importante e ser atormentada por estranhos não ajuda a saúde mental de ninguém.

3) Vão cagar.

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