No ano passado eu, Bruna Vieira, Marina Santa Helena e Liliane Ferrari participamos de um debate sobre blogs femininos e publicidade.

O público era composto basicamente de mulheres e o papo foi bem massa.

Porém, ao final do evento, colou um cara em mim e disse:

– Eu fui ao debate para falar sobre minha experiência de trabalhar com mulheres, mas achei o discurso muito radical e me retirei. Fiquei acuado e fiquei até meio assim de falar. Onde vocês pensam que vão chegar com isso?

Respirei fundão. fundíssimo.

– Você não acha que erro é um homem querer falar em vez de escutar quando há quatro mulheres com experiência falando?

– Não, é um absurdo, vocês blablablabla eu sei eu trabalhei com mulheres blablabla

male opinions

– Moço, o senhor é uma mulher?

–  Eu eu eu eu, eu

– Moço, os problemas com a publicidade vêm em parte desse comportamento de não escutar as mulheres.

– Mas eu já trabalhei com blablabla diarréia verbal citando marcas agências cargos

Botei a mão no ombro dele, olhei em seus olhos e disse:

– Tá bom, moço. Boa sorte.

E me retirei pra jantar com minha amiga.

Fui muito polida. Gostaria de ter falado um monte, mas sabe o que? Ele não estava escutando. Ele não queria escutar. Ele foi lá pra falar. Pra ensinar às mulheres o que ele, homem, sabia. Ele, um dos poucos homens presentes no debate (o que já é um problema por si só), não foi escutar; foi falar.

Escrevi este singelo post contando essa historinha apenas como um apelo:

Escuta as mina, cacete.

Pode falar? Pode. Mas antes tem que escutar.

Não é muito difícil, eu prometo.

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