Ô papinho que me cansa.

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Já escrevi sobre a tal da mulher de verdade antes, mas nunca acaba, nunca melhora, é sempre a mesma patacoada.

Eu tive um namorado muito otário que gostava de fazer comentários sobre outras minas dessa forma. Não me importaria dele dizer “que mina gata” ou qualquer coisa do tipo, mas era sempre nesse tom: isso sim que é mulher! Isso sim que é peitão. Isso sim que é bunda. E eu ficava olhando pra mim mesma e pensando, ué, e isso aqui não? Mas nem falava nada pois não queria pagar de maluca ciumenta e nem era ciúme o que eu estava sentindo, apenas um desconforto que eu não sabia identificar. Um dia ele falou de uma mina com o corpo muito parecido com o meu e eu perguntei, mas vem cá, eu super sou assim também. Ele disse que meus peitos eram mais caídos, então não era não. Aquilo que era peito! E eu senti, ao mesmo tempo: raiva, asco, vergonha e vontade de ir pra minha casa com meus peitos caídos.

Outro dia estava vendo o perfil da Monique Prada na Carta Capital e entre vários xingamentos tinha um cara falando: isso sim que é mulher, não aquelas patricinhas de rosa. Ela mesma respondeu: obrigada, mas as patricinhas de rosa estão muito bem na delas.

Sempre que aparece uma matéria de modelos com curvas é batata: vai ter um comentando que “isso sim que é mulher, homem gosta de ter onde pegar”.  Nas fotos das mulheres musculosas também aparecem esses comentários: isso é que é mulher, não aquelas lá!

E a lista é infinita.

Isso que é mulher, não aquelas funkeiras.

Isso que é mulher, não aquelas feministas.

Isso que é mulher, não aquelas que mostram as teta.

Isso que é mulher, não aquelas que não se dão o respeito.

Isso mesmo, mulher, continue nesse caminho e pegue este biscoitinho de aprovação que eu estou te oferecendo.

Não é um elogio legal quando está colocando outra mulher pra baixo. Não é enaltecedor quando desmerece outras pessoas.

Sei que reproduzimos muita coisa sem pensar, então bora dar uma pensadinha?

Beijocas e boa semana.

 

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