Várias amigas têm me chamado no cantinho pra conversar sobre maternidade.

E não é sobre ter filhos. É sobre não ter.

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Muitas delas não querem, mas se sentem pressionadas porque estão chegando perto dos 30 e acham que vai passar o tempo e chegar o arrependimento.

Amigas e leitoras, vos digo: só tenham filhos se tiverem toda a certeza que é isso que querem.

Não é fácil. Ser mãe não é uma propaganda de margarina ou de shampoo. Não é um mar de rosas e tampouco é padecer no paraíso. Você vai ter momentos incríveis de orgulho que não dá nem pra explicar e outros de muito amor, mas também pode ser que você tenha vontade de arrancar os cabelos e fugir de casa sem sapatos no meio da madrugada.

É mentira que só quem tem filhos conhece o amor incondicional. É uma mentira horrível, inclusive. Nenhuma mulher é superior ou iluminada porque tem filhos. Isso é o que querem que acreditemos. Quem é mãe já sabe: não existe uma chavinha que você acende pra virar essa mãe mítica. Simplesmente não existe. A maternidade não é algo sagrado e você não tem que ser a santa mãe.

E tenha isso em mente: você dificilmente vai estar só de novo.

Quando me toquei disso, foi uma grande crise. O desejo mais forte da minha vida sempre foi a independência, e, bem, você não é independente quando tem uma pessoa sob sua responsabilidade.

Algumas pessoas acham que é maravilhoso “ter alguém pra cuidar de você quando estiver velho”. Essa ideia me assombra, dar trabalho pra minha filha. A última coisa que eu quero na vida é encher o saco de alguém quando for velha. Tenho horror a dar trabalho. Não quero, não vou. Então pra mim essa ideia aí não serve. Quero mais é que ela avoe que eu velha me viro. Isso se eu ficar velha. Enfim.

Muitas mulheres se sentem culpadas por não quererem ter filhos, e, pior ainda, se sentem culpadas quando têm filhos e não são inundadas por aquele sentimento de plenitude. Ter filhos não torna nenhuma mulher plena; ter filhos torna a mulher mãe. E só. Não é o fim de nada, é o começo de uma longa jornada. Essa história de que uma mulher só é completa quando tem filhos é balela e só serve para gerar frustração. Colocar a felicidade na ideia de filhos, ou casamento, ou até carreira, é delegar a felicidade, que pertence exclusivamente a você. Não faça isso.

Carmencita já dizia:

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Não me entendam mal: minha filha é incrível e tenho certeza que estou fazendo o meu melhor pra criar uma mulher fantástica.

Mas ela não é o centro da minha vida.

Eu sou.

Se eu não estiver no centro da minha vida, quem vai cuidar dela? Uma mãe capenga, pela metade? Não. Eu tenho que estar inteira, sã, eu tenho que ser uma Clara inteira pra conseguir criar uma Catarina inteira.

Já estive toda quebrada e asseguro: não existe como criar um filho assim. Mas exigem, né? Você é a mãe, tudo vai sempre recair sobre você. Não interessa o seu estado, é de você que a sociedade cobra.

E é claro que já abri mão de muita coisa. Sempre quis morar fora do Brasil. Ainda não fui porque não sou irresponsável de fazer minha filha passar perrengue. Quero também morar no Rio de Janeiro; ainda não fui, entre outros motivos, porque sei que ela se separaria do seu grupo de amigos e isso abalaria sua vida. Já fiz trabalhos que odeio. Já lidei com gente detestável porque precisava de dinheiro. Provavelmente não teria feito muitas dessas coisas se não tivesse uma filha pra criar. Não me arrependo de nada, mas é inegável que, quando você tem essa responsabilidade, acaba engolindo um monte de sapos.

Enfim, colegas, deixo aqui essa reflexão: filhos podem ser incríveis, é claro, mas só se você realmente quiser tê-los. E é ok você não querer. E é ok também você querer e ser uma mãe completamente fora dos padrões de mãe conhecidos e aceitos.

(Não vou nem falar pra você “escolher uma pessoa legal” porque bom, a gente nunca sabe. Na hora sempre parece, né? E isso é assunto pra outro post.)

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