Betty Davis é conhecida como ex-mulher do Miles Davis, mas os fãs de funk bem informados (e o próprio Miles) sabem que ela é muito mais que isso: simplesmente uma cantora maravilhosa.

Betty Davis nasceu em 26 de Julho de 1945 e cresceu na Carolina do Norte, ao som de blues. Aos 16 anos, já no começo dos anos 60, ela foi pra Nova Iorque.

Betty-Davis-3

Pela inteligência, conhecimento musical, estilo extravagante e beleza, rapidamente se tornou popular entre a galerinha descolada do Greenwich Village. Frequentadora da vida noturna e artística, ela trabalhava no Cellar Club e era modelo, mas, ao mesmo tempo já começava a fazer suas primeiras gravações.

O primeiro grande sucesso dela foi como autora, aos 20 anos, da música Uptown, dos Chamber Brothers. Inclusive, bora ouvir.

Um ano depois, em 1968, ela conheceu o Miles Davis. Nessa época ele ainda tocava com seu segundo quinteto (que tinha o Herbie Hancock). E rolou um amor fodido e um casamento expresso que não chegou aos anos 70. Mas é aí que a coisa fica bem maluca já que, segundo o próprio Miles, ela apresentou ele para as psicodelias  que, além de mudarem seu visual, mudaram totalmente a ideia que ele tinha sobre como a música devia ser.

Betty Davis e MilesOh a cara de babaca apaixonada dela nessa foto.

Imagino que a recíproca tenha sido verdadeira, mas nunca li nada sobre. Então ele lança o Filles de Kilimanjaro com ela na capa e uma música dedicada pra ela (“Mademoiselle Mabry” – Mabry era o sobrenome de solteira dela). Em 1969 eles se separaram. A grande fofoca conta de um affair entre ela e o Hendrix (que ela também apresentou pro Miles e o deixou besta), na sua autobiografia Miles diz que ela era muito “jovem e louca” pra ele, que tinha quase o dobro da idade dela.

No começo dos anos 70 ela passa, finalmente, a trabalhar no próprio disco, gravando com uma galera da banda do Sly (que ela também apresentou pro Miles e deixou ele passado) e do Santana e essa gente maravilhosa toda.

O primeiro disco, também chamado de Betty Davis, foi lançado em 1973 e foi um fracasso comercial. Mas é uma ma-ra-vi-lha. Ela ficou conhecida como a voz das feministas, pela mistura da vibe sensual e assertiva. Na época, grupos religiosos (gente, vocês também não se ajudam, né) protestavam em shows dela, fazendo muitos serem cancelados. Eles também se uniam pra sabotar rádios que tocassem essa belezinha. Deixa eu dar um exemplo pra vocês (a primeira música que ouvi dela, no falecido Blip.fm, obg @dgasparetti).

Preciso nem dizer que eu ouvi isso e fiquei tão louca, tão louca, que não sosseguei até baixar tudo que existia dela nas internet. E ouvir até sangrar o ouvido.

Em 1974 ela lançou They Say I’m Different e em 1975, Nasty Gal.

Depois ela meio que desapareceu. No começo do século XXI ela foi relançada nos EUA, mas nunca ganhou toda fama que mereceria.

Quer dizer, aqui em casa ela é hit. Espero que na vocês também se torne. Em 2007 o Carlos Santana disse, sobre ela:

Ela foi a primeira Madonna, mas a Madonna é mais uma Marie Osmond comparada com a Betty Davis. Ela era a verdadeira Pantera Negra feroz. Era impossível domesticar a Betty Davis.

Que mulheeer! Bora ouvir mais uma:

, , , ,