Vale a pena começar esse texto avisando que sim, vai ter Copa, quer você queira ou não.

Vai ter Copa porque a cada 4 anos elas acontecem e todo mundo sabe disso, mesmo quem não gosta de futebol. E o assunto futebol, mesmo em 2014, parece ressucitar sempre a mesma discussão: meninas não gostam de futebol.

Ou gostam, desde que haja um jogador gato em campo, cujo movimento sensual das coxas elas possam acompanhar.

Afinal, mulher gosta de homem, certo?

E é exatamente por gostar de homem que o único outro motivo possível para que uma mulher acompanhe futebol seria agradar seu homem.

Por isso estão surgindo liquidações de sapato na hora da Champions (assim você fica entretida enquanto seu cara vê o jogo em paz) e regras de etiqueta sobre como se comportar e não estragar a festa deles.

É feio achar que entende das coisas se você não sabe de cor todos os calendários de jogo, nacionais ou internacionais. Então, nem comece.

As discussões sobre futebol, Copa ou não Copa, também jogam luz sobre um espécime em extinção – a mulher que manja de futebol. Dos aspectos técnicos, digo. E essa criatura mítica e maravilhosa brilha, desejada pelos homens, talvez até mais do que uma caneca de cerveja gelada, sendo solicitada a fim de explicar às outras, desprovidas de tanta iluminação, como, ao menos, fingir interesse e conhecimento.

É tipo orgasmo. Finge, assim pelo menos alguém sai feliz desse jogo.

Só que, apesar das discussões inflamadas e dos pontos de vista absolutamente polarizados, o cenário não é bem esse. A mulher que curte futebol não é tão rara assim e ela pode estar sentada bem do seu lado. E ela pode saber, sim, declarar a escalação de todos os times que você conseguir listar. Ou não. E gostar de sapatos mais do que de chocolates. Ou não. Ela pode acompanhar o time dela e chorar quando ele ganha ou perde, morrer de tesão nos campeonatos gringos e saber até que eles vão além da Champions.

Eu conheço mulher que pegaria toda a grana que você quisesse dar pra ela “comprar uma coisa bonita” em camisas de time, mas essa não é a questão.

Essa mulher é tão comum quanto a que detesta futebol e, no fim das contas, todas são estigmatizadas.

A primeira, por ser considerada um unicórnio, não aparece nas comunicações com tanta frequência. Afinal, ninguém quer dar tiro de canhão pra conversar com formiguinhas.

A segunda, é constantemente tratada como um estorvo e tudo que é dito a ela é pra ensiná-la a ser menos retardada sobre um assunto que é paixão nacional, das dicas de como ser uma acompanhante agradável durante um jogo a esmaltes com nomes que sugerem o quão tontinha ela é (mas calma, provavelmente é com humor, seja mais leve).

Futebol continua sendo coisa de homem e nós somos as intrusas nesse mundo. É por isso que, gostando ou não do esporte, isso é assunto e ainda é discutido.

No fim das contas, cara, é só futebol.

Pasmem, pra gente também. ;)

, ,