A Dr. Cindy Mervin e o Prof. Paul Frijters conduziram um estudo com mais de 20.000 australianos de ambos os sexos e descobriram o que todo mundo já sabia: homens em relacionamentos heterossexuais só pensam em si.


MimiEunice_481. Eueueueueueueueu 2. … mas chega de falar de mim *ufa* 3. O que tu acha de mim? :(

Pode parecer piada, mas é uma verdade cheia de consequências terríveis.

Segundo a pesquisa, quando em um relacionamento hetero um dos parceiros fica doente ou passa por um evento traumático, a mulher é profundamente afetada pela dor do homem. Mas a recíproca não é verdadeira.

E aí é que o caldo entorna pois, diferente do que aquele colega com problemas de lógica pode afirmar, a coisa toda não tem nenhuma relação com mulheres serem sensíveis e homens não:

Isso não quer dizer que os homens sejam insensíveis ou indiferentes, já que são profundamente afetados pelo que acontece com eles mesmos, mas eles simplesmente não são profundamente emocionais no que diz respeito aos sentimentos das parceiras.

Ou seja, a grande maioria dos homens vive em um mundo de atrofia emocional, só que não daquele jeito cool que eles curtem pensar, mas de um jeito um tanto infantil. É a famosa cultura do Reizinho™.

euOlha pra mim

A cultura do Reizinho é um negócio muito triste. E seria se fosse apenas responsável pelas gerações e mais gerações de mulheres que sequer desconfiam que exista a possibilidade de desenvolver um relacionamento com igualdade, trocas profundas (emocionais e intelectuais) e companheirismo.

Mas ela se torna realmente trágica quando nos deparamos com situações como a de hoje, onde um abusador assassinou os filhos para punir a mulher que decidiu romper seu ciclo de doença e violência. Isso após ocorrências policiais e dois pedidos de medida restritiva nunca julgados.

Segundo uma conhecida:

“Ele (Marcos- o abusador) queria muito aquela família, mas do jeito dele”

Lendo isso imediatamente lembrei da teoria que chama Marriage Benefit Imbalance e que diz, basicamente, que o casamento tradicional é bom para os homens e ruim para as mulheres, já que mulheres casadas sofrem mais de depressão, tem menos sucesso profissional, pior saúde e mais chances de morrer de uma morte violenta (normalmente na mão de seus companheiros) que solteiras.

Isso quer dizer que eu odeio o casamento? Não. Isso quer dizer que eu acho que a culpa é dos relacionamentos? Também não.

Mas isso quer dizer que acredito no que escrevo aqui e acredito que é difícil isolar as partes da cultura machista que nos favorecem e optar por só lutar contra algumas delas. E também quer dizer que boto fé em uma mudança que começa por nós mesmas. Nós somos criadas em uma cultura que nos leva a querer algo, mesmo quando não é bom para nós. Os homens são criados em outra cultura, onde a vontade deles é lei.

E, sendo realista, alguém que tem sua vontade como lei e que vive nesse isolamento perceptivo achando que tudo é sobre si, dificilmente vai romper com isso, pois está em uma posição de conforto (sem nem fazer ideia dos prismas maravilhosos de vida que está perdendo sendo assim). Já nós, quando nos damos conta dessa estrutura, por mais que notemos o processo de insubordinação como algo longo e árduo, também notamos ele como a única saída possível.

Aos homens que não querem ser estes caras, convém pensar na inviabilidade de escolher abolir apenas alguns sintomas da cultura machista. E, talvez, o melhor começo para vislumbrar isso seja rompendo com a cultura do Reizinho, ou seja, tendo empatia. Ou, como disse David Foster Wallace:

No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.

O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas – e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.

O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.

Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.

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