Não entendo isso de querer ser jovem para sempre por um simples motivo: a cada ano que passa fico mais diboa.

Ontem, após dois dias usando apenas colheres de sobremesa para me alimentar, decidi aproveitar uma maratona de Kardashians para lavar a louça. Era muita louça, então a maratona acabou e eu estava com as mãos cheias de espuma e não pude trocar o canal da TV. Pelos próximos 15 minutos fui torturada por um programa que mostrava super modelos antes e agora. Todo o texto do negócio se resumia em dizer quem, após 20 anos, continuava bem vestida e com aspecto jovial.

nanny

A pororoca de chorume incluía “Fulana que ficou gorda”, “Fulana que se veste mal e não usa maquiagem” e “Fulana que tem (Jesusa!) rugas“.

Esse papo de que a grande vitória da mulher está em ser sempre jovem me atordoa por conter, em si, a noção de que somos um adereço.  Temos, eles acham, a obrigação de ser bonitas e bobinhas.

E isso permeia todos os prismas de  vida, passando pela sexualidade infantilizada (entre inexistente e ingênua) e pela ideia de que a idade traz sabedoria (e quando a mulher passa a ser sábia ela deixa de ser mulher e vira matriarca, vocês sabem, né).

horror

Por isso quando alguém chega pra cima de mim com elofensas como: “que carinha de bebê” e “mas com essa pele parece que tem *uma idade qualquer*” me sinto expropriada de toda a vida que eu vivi até agora.

E sei que muita gente vai achar besteira, mas eu tenho orgulho de ser uma mulher adulta. Em especial a mulher adulta que sou e que se bateu e se bate pelas fronteiras da vida, repensando sua existência e seu papel constantemente.

Aos 18 anos eu queria obliterar tudo isso e levar uma vida fácil, o mais longe possível das minhas problemáticas. Hoje eu quero elas comigo, pra continuar aprendendo. E sei que a maioria de vocês pensa assim, por isso nos reunimos aqui. Para examinar a vida. E para que daqui 20 anos as meninas de 15 não se sintam mais deslocadas no mundo, como muitas de nós se sentiram.

E para mostrar que nos tornamos mais velhas, mais sábias, mais realizadas e, claro, mais mulheres que nunca.

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