No começo deste ano eu fui fazer uma trilha com meu pai. Uma trilha sussa, no Morro do Osso, perto da casa dele e da minha mãe em Porto Alegre. Uma trilha sussa que me fez perceber que meu corpo não estava indo nada bem. Falando sério, eu achei que fosse vomitar tamanho era meu despreparo físico. Me senti pior ainda comparada com meu pai, que tem 56 anos e andava tranquilamente, sem sequer suar muito, enquanto eu, vermelha feito um tomate, arrancava a roupa, ofegava e ameaçava botar os bofes para fora.

Quando voltei pra São Paulo, me matriculei na academia. E desde então minha vida mudou de um jeito que eu nem imaginava que poderia acontecer, por mil motivos.

Porque eu agora tenho uma rotina e isso me faz bem.

Porque me sinto infinitamente melhor, durmo melhor, como melhor, faço tudo melhor.

Porque meu corpo respondeu lindamente e eu sinto mudanças que eu nem imaginava que me deixariam tão feliz.

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Das outras vezes todas que eu entrei na academia foi para emagrecer. Foi porque eu me odiava como era e queria desesperadamente mudar meu corpo, que já não aguentava tanta dieta, tanto remédio, tanta raiva contra ele.

Dessa vez eu entrei porque eu gosto muito dele e quero que fique bem.

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E aí aconteceu uma coisa que não deveria: eu fiquei com vergonha.

Vergonha de malhar.

Vergonha de ser “daquelas” pessoas que curtem academia, que curtem o lifestyle.

Vergonha porque eu tinha preconceito e não queria que tivessem comigo. Opa, então eu ainda tinha preconceito e o meu problema era ser confundida com “aquelas pessoas”. As do whey, as do #Foco #Força #Fé, as do Vem, Monstro! Meu medo era ser julgada e de acharem que eu estava fazendo isso apenas por motivos estéticos, ora, eu que defendo tanto que a gente pode viver feliz com o corpo que tem.

Mas quem estava julgando era quem? Isso mesmo, euzinha. Eu, julgando os outros, com medo de julgamento.

Não é muito babaca? Todos somos, às vezes.

Vou fazer 36 anos e passei boa parte da vida odiando meu corpo. Por que eu deveria me envergonhar de estar fazendo algo que além de fazer bem pra ele, ajuda a me estabilizar e não emburacar nas minhas tendências autodestrutivas de bebida e droga?

Entrei na academia porque quis e não lembro de me sentir tão bem nessa vida. Pode querer, viu? Não tem problema nenhum, não é errado, não vão caçar a sua inexistente carteirinha por isso. Ninguém pode te dizer como você tem que ser.

Temos que tomar cuidado, migas, pra que não nos transformemos naquilo que mais abominamos.

(Em tempo: pode, né? Pode tudo, se quiser <3)

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