Em um passado distante, Camille Paglia falou: “Todo mês é destino da mulher enfrentar o abismo do tempo e do ser, o abismo que é ela mesma.”

Relendo agora, todo o trecho do livro onde ela fala sobre menstruação e a relação da mulher com os ciclos naturais me parece bem menos emancipador que da primeira vez que li. Isso não quer dizer que eu consiga negar totalmente esse prisma quase místico que atribuo à menstruação. Não de um jeito passivo ou pacífico, mas como o potencial inerente de nascimento e morte que as mulheres trazem.

menstruaçãoDsclp, gente, acho que exagerei.

Lembro de ter lido sobre antigos povos Romani, e como eles acreditavam que a menstruação era capaz de sujar metafisicamente. Ou do mikvá, o banho ritual pós menstrual do judaísmo ortodoxo.

De toda forma, a verdade é que a maneira quase fóbica como lidamos com a menstruação não mudou muito.

Tempos atrás circulou loucamente pelas redes sociais o feito de um homem indiano, Arunachalam Muruganantham, que inspirou o documentário Menstrual Man, da BBC. O Arunachalam ficou conhecido por ter criado uma máquina que faz absorventes mais baratos para meninas de um vilarejo indiano.

Com os absorventes as meninas tiveram a possibilidade de voltar a frequentar as aulas, no lugar de ficar em casa isoladas por estarem naqueles dias.

Para além de uma história (maravilhosa de triunfo) dessas que a galera curte ler no Facebook pra se emocionar com a vida, ela fala do quanto a menstruação ainda é vista, socialmente, como uma maldição.

E essa visão faz com que, em alguns casos, ela seja mesmo. Mais que não poder estudar (o que já seria horror o suficiente), a BBC Magazine diz que mais de 70% de todas as doenças reprodutivas da Índia são causadas por uma higiene menstrual ruim. A higiene ruim também está linkada com câncer e uma série de outros problemas graves.

Aí tu pensa: “ai, a Índia é foda” e eu te respondo:

menstruação azulNo dia que eu menstruar azul, aí sim fico com medo

Além disso, se tem um tabu que percorre o mundo de maneira igualitária, é o do sexo durante a menstruação. Menos pro Louis Ck, que certa feita disse:

Caras jovens tem medo de mulher. Eles tem medo dos sentimentos delas. ‘Minha namorada ta braba comigo!’. Bom, eventualmente ela vai deixar de estar, te acalma. Eles tem medo do corpo delas. ‘Minha namorada ta menstruada, que eu faço?’. Come ela durante a menstruação, idiota, qual o dilema? Eu não tou nem aí, se tu ta menstruada chega aqui. Eu tenho 41 anos e vou te comer como um louco. Vou beber o sangue. Bora fazer uma festa

Mas o enigma do tesão menstrual é tanto que tem até uma postagem no Reddit onde uma moça pergunta: sou só eu? Não é. Aliás, tá longe de ser a única.

Inclusive, colega, isso é normal, sim. Ouso dizer que tesão é normal 90% das vezes, mesmo quando é pouco usual. Tanto é que a maior parte dos sites que eu leio tem uma postagem sobre esse furor sangrento, feito Jezebel e Xojane.

Nenhum deles achou a resposta definitiva para esse tesão. Segundo várias especialistas ninguém sabe bem o motivo por não existirem estudos sobre o tema (tabu duplo: sexualidade feminina e menstruação).

Uma médica sugere que, assim como na gravidez, o alto nível de progesterona pode ter relação: “ele deixa os genitais mais sensíveis, para algumas mulheres isso é maravilhoso – pra outras não”.

Que seja. A grande mancada, aqui, não está em sentir mais ou menos tesão, está no fantasma da polícia menstrual que quer nos fazer sentir vergonha ou nojo dele (e de nós mesmas), por vir acompanhado de sangue.

sexo menstruaçãoEi, polícia, menstruação é uma delícia

O Nerve nos fala sobre abraçar o sexo menstrual como uma dádiva (ultra lubrificada):

“Diz pra quem tu pega superar o nojinho e parar de fugir da delícia e dos mistérios de ser mulher. Sério, somos todos adultos aqui. Superem isso e façam sexo até cansar”

Boa menstruação, maravilhosas! E, ah, pode sim!

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