As pessoas têm a irritante mania de achar que todo mundo precisa estar em um relacionamento. Se você está solteira, você tem que querer um namorado. Você tem que sentir falta de sexo. TEM QUE.

Desde o fim do meu último relacionamento eu tenho notado que finalmente amadureci e consegui encontrar graça naquilo que achava que nunca ia conseguir: curtir a solteirice da forma mais simples possível, sem grandes saídas e nem “participações especiais”.

Quando me perguntam “qual é essa magia” que eu tenho para ser assim, desencanada, simplesmente respondo que não sei. Só não estou a fim, portanto não vou me relacionar com ninguém nem temporariamente. Daí começam as especulações:

“Você deve ter sofrido um trauma terrível no seu último namoro”
“Você está evitando por causa da sua filha, eu sei”
“Você está revoltada com os homens. Calma que passa e você volta a se interessar”
“Você ficou tão feminista que não quer mais saber dos homens”

Não, gente, eu não sofri trauma nenhum, não estou revoltada com os homens (só com o machismo, ok?), não é culpa alguma do feminismo e definitivamente não estou deixando de viver por conta da minha filha porque eu sei muito bem separar namorado de pai. Também não é porque eu não conheci um cara que mexeu comigo, nem porque eu estou com medo de ser feliz nem infeliz, nem porque eu estou pensando demais na carreira e estou esquecendo de viver e um monte dessas bobageiras por aí. Isso tudo é só porque eu só estou de boa comigo mesma.

Sei que sexo é uma delícia (ou não dependendo de quem faz) mas eu não quero. Eu tô bem praticando o amor próprio.

“Poxa, mas não é a mesma coisa!”

De fato, no amor próprio você se espera gozar e o motivo de ficar sem sexo oral é porque você não é contorcionista e não porque você tem nojo de si. Como eu disse, não tô a fim não.

Eu sei que é complicado acreditar nisso quando a gente não se sente assim. Eu já fui daquelas que acreditava que ia encontrar o amor da minha vida na fila do pão e até brinco que eu ainda vou encontrar “o cara” dentro do ônibus porque é uma das coisas mais estúpidas nas qual eu acreditei (não que seja impossível, mas eu ficava encarando todos os caras atraentes na condução). Mas meninas, acreditem, é verdade!

Só quero passar um tempo curtindo a minha liberdade de ir sozinha ao cinema, de curtir a minha filha, de escrever meus textos, acordar de boa e ser feliz assim.

Pode ser que eu acabe me apaixonando um dia desses? Por que não? Pode ser hoje, pode ser daqui um ano, pode ser aos 49 anos. Não sei, não estou preocupada. Não estou me impedindo, nada disso. Só não estou a fim.

Minha dica é: curtam-se independente da sua idade, do seu estado civil, do seu emprego, do que for. Amem-se e tudo ficará maravilhosamente bem. No fim, é só você com você mesma!

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