Todo dia da mulher é a mesma coisa.

A gente tem que lidar com flor murcha embrulhada num tule, feito a mortalha do significado do dia, com declarações de como merecemos parabéns pois somos guerreiras, somos fortes, somos doces e sem nossa ternura e delicadeza o mundo não seria o mesmo.

Meuzóvulo, queridos. Não é nada disso.

No ano passado escrevi que não aguentava mais ser mulher e listei todas as violências que passamos. No retrasado expliquei por que o Dia da Mulher não era uma comemoração e uma homenagem, mas um dia de luta por direitos e a Mari escreveu sobre o que queremos de verdade.

Todo Dia da Mulher é a mesma coisa: nos sentimos andando em círculos e repetindo, repetindo, repetindo o que já foi dito, o que tantas dizem, o que ainda, por anos após nossas mortes, vai precisar ser dito.

Mas as coisas estão mudando um pouco. É inegável. Nos últimos anos estamos vivendo pequenas revoluções e as mulheres passaram a se unir, escutar e conversar. Não existe mudança sem união. Também não existe mudança sem debate e sem discordância, mas sabemos que a união é mais importante neste momento pois estamos diante de uma grande onda conservadora global.  Em Janeiro, nos Estados Unidos, milhões de pessoas foram às ruas protestando contra o abjeto presidente eleito Trump. Foi um momento lindo e emocionante, cheio de falas maravilhosas e ícones da luta por direitos humanos.

Por aqui não nos faltam motivos pra protestar também. A Reforma da Previdência, proposta pelo governinho ilegítimo de Michel Temer, quer aumentar ainda mais a idade de aposentadoria, e isso, é claro, vai pesar primeiro em nós, mulheres, que já cumprimos dupla e às vezes tripla jornada. A Reforma Trabalhista também vai nos prejudicar mais, pois é preciso viver em um mundo encantado pra achar que alcançamos algum tipo de igualdade em termos de trabalho e de salário.

Ser mulher é lutar todos os dias, seja essa batalha consciente ou não. Muitas vezes não dá nem tempo de pensar nisso quando a mulher tem que acordar às quatro da manhã pra atravessar a cidade e chegar no trabalho, quando tem que argumentar mil vezes para provar seu ponto em uma reunião, quando tem que abaixar a cabeça para não perder um emprego apenas por ser mulher, quanto se vê diante de uma gravidez indesejada sem possibilidade de interrupção legal, quando se vê mãe e sem ter onde deixar os filhos para poder trabalhar, quando se vê agredida, violada, violentada física e verbalmente, entre tantas outras situações.

Hoje faremos parte dessa grande Greve Internacional das Mulheres – International Woman’s Strike. Muitos países já aderiram e há várias formas de participar.

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E como dá pra fazer pra participar?

Não dá pra parar?

Neste vídeo tem algumas sugestões.

É hoje! Quer aderir e não sabe como? Vem que tem jeito. #8m

Uma publicação compartilhada por Clara Averbuck (@caverbuck) em

Hoje é nosso dia de luta. Não vamos deixar passar em branco. Não vamos ficar em silêncio. Não vamos mais.

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Do Instagram da Maravilhosa NegaHamburguer

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