O ex-blogueiro da Veja, Rodrigo Constantino (aquele do vídeo do Dá-Bilhão?! também conhecido por usar T-Shirt do Che Guevara com orelhinhas de Mickey Mouse e, ainda, pelo episódio em que escreve uma carta aberta ao povo americano pedindo votos para Ted Cruz), resolveu comentar o caso Ana Hickmann.

Com toda sua sagacidade o economista traz ANA HICKMANN ESTÁ VIVA GRAÇAS ÀS CORAGEM E VIRILIDADE DE UM HOMEM QUE REAGIU como título de seu mais novo texto.

Pois muito que bem, o moçoilo começa o texto falando que raríssimos são os que têm coragem de falar abertamente em masculinidade (não é o caso de Constantino que vira e mexe está por aí perguntando onde estão os machos?), porque, segundo o economista, teriam receio de serem taxados de machistas.

Rodrigo não tem esse receio e passa a defender a macheza, a virilidade, e por que não a brutalidade, natural desse ser tão iluminado: o homem.

Em um dos melhores momentos do texto ele diz que: Ana Hickmann está aí, literalmente, para provar a importância da masculinidade e da Fortaleza que leva até o auto-sacrifício.

Vamos resumir aqui o caso da Ana Hickmann para o leitor (a): A apresentadora tinha um “fã” fanático, obcecado. Rodrigo (não o Constantino, o fã obcecado) a desejava, em suas redes sociais encontramos declarações insanas para a apresentadora, recheadas de mensagens com conteúdos pornográficos. Ele ““a amava””, segundo suas mensagens, bem sabemos que esse louco sentimento de posse que Rodrigo apresentava não é amor porra nenhuma, (ao contrário do que diz o irmão do atirador, quem ama não invade o quarto da pessoa amada, armado e gritando desaforos).

Em busca da mulher que deveria ser sua, Rodrigo vai atrás da apresentadora em um hotel, entra e rende todos os presentes. Armado, o criminoso passa a ofender a apresentadora, que não correspondia ao seu amor, no meio de tudo isso o cunhado em defesa de Ana, da Assessora e em sua própria defesa (pois acompanhando o caso evidente que o desfecho seria a morte dos 3 seguida do suicídio do criminoso), de forma sim, muito corajosa, trava uma luta com “o fã” consegue tomar a arma e atira nele.

Em resumo: um homem armado tenta assassinar uma mulher que não corresponderia ao seu amor.

Adivinhem vocês, caros colegas, o objeto da crítica feita por Rodrigo Constantino em seu texto?

A indústria das armas? Não.

O sentimento doentio de posse que os homens ainda tem perante as mulheres que lhes são objeto de desejo?

NÃÃÃÃÃO.

Rodrigo critica os pacifistas (!) e, claro, óbvio, evidentemente AS FEMINISTAS!

Rodrigo não perde a oportunidade de defender o armamento enquanto, sutilmente, aproveita qualquer deixa para falar das feministas.

Pra fechar o texto com chave de ouro ele manda contra essas pessoas armadas que querem matar inocentes, nada como um homem igualmente armado ou capaz de enfrentar o perigo para defender os demais. Foi isso que salvou Ana Hickmann. É isso que as feministas tanto atacam e condenam.

Do alto de seu conhecimento sobre a vivência feminista, Rodrigo me traz um insight: claro, sim, é isso que as feministas atacam e condenam, o cunhado bem intencionado da Ana Hickmann.

As feministas não atacam e condenam a covardia de homens como Rodrigo (o atirador, não o Constantino, se bem que… enfim) , as feministas não atacam e condenam a forma como esses homens facilmente tem acesso à posse de armas, as feministas não atacam e condenam a forma como os homens apoiados na cultura patriarcal imaginam possuir sobre as mulheres seus objetos de desejo, as feministas não atacam e condenam homens que diariamente agridem e matam, o que as feministas tanto atacam e condenam são os homens como o cunhado de Ana Hickmann que esboçou uma digna reação de defesa.

Não vamos nem entrar no mérito e sair colando aqui links para mostrar que em diversas situações existia uma mulher igualmente capaz de enfrentar o perigo para defender os demais, vamos apenas, diferentemente de Rodrigo Constantino, enxergar o óbvio: o machismo não salvou Ana Hickmann, o machismo quase a matou, como mata milhares de mulheres todos os anos.

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