A gente acha que é 2017, que as pessoas já estão dando uma melhorada, uma evoluída, mas né? Tudo ilusão.

Um moça achou por bem depreciar meu corpo no meu (MEU!) instagram:
Por onde começar? Era um ensaio pra Tengo Un Corazon, uma marca que é puro amor e trabalho manual, corações moldados um a um. Não era sobre meu peito, quem estava sobre meu peito era o corazón.
Meu corpo é meu corpo e eu já aprendi que se eu o odiar, ele me odeia de volta. Já tive de 83 a 48 quilos. Foda-se meu peso, ano passado estava felizona, até que esse ano emagreci um total de 17 kg por motivos de doença e disgraçamento. No começo foi um sustão e eu voltei a me odiar pois não estava sabendo habitar aquele corpo frágil. Agora acostumei, voltei a ter músculos e já sou dona dele de novo, um corpo maravilhoso – e não estou falando esteticamente, estou falando do que ele me permite fazer. A mudança repentina foi um choque, eu estava feliz com peitão e rabão, mas aconteceu e este é meu corpo agora. Pode parecer apenas uma futilidade falar de corpo, mas o corpo da mulher, de toda mulher, é político. Usam nosso corpo para depreciar o que somos e podemos, dizem que somos inadequadas, muito gordas, muito feias, muito fortes, muito fracas, muito moles, muito isso ou aquilo. Querem que sejamos apenas corpos. Querem nos limitar a eles. Querem controlar nossa sexualidade, nossos úteros, nossos desejos. Abusam da cisnormatividade pra destilar violência contra mulheres trans, nos violentam o tempo todo com ideais irreais.
Crianças já estão expostas à toxicidade desse corpo normativo, dessa beleza normativa, meninas negras e não brancas sofrem com o padrão de beleza branco-loiro-liso, até meninas dentro do padrão sofrem, é tanta crueldade que não podemos falar que é futilidade falar de corpo e de padrões. Enquanto perdermos tempo nos odiando e apontando dedos para o corpo da outra, perdemos o melhor da vida, o que o corpo FAZ, não o que o espelho mostra.
                MARAVILHADA com o que o corpo faz <3 
Inclusive não podemos esquecer que é a cabeça que carrega o corpo, e essas coisas mexem com ela também. Se estamos ruins da cabeça por causa do corpo, perdemos tempo. E enquanto perdemos esse tempo, esquecemos de tantas outras coisas importantes que acontecem enquanto estamos tomadas por amargor e auto estima destruída.
Eu sei que não é fácil ter amor próprio nestes tempos, mas também sei que não é impossível. Mulheres como a Rachel Patrício, a Preta-Rara, Raquel Virgínia, a nossa própria maravilhosa Polly, a Renatta Prado da Batekoo, a maravilhosa e uma das sócias do Maravilhosas Corpo de Baile, a Grazi Meyer, minha professora de pole dance que salvou minha vida e é um pedacinho da minha alma,  essas minhas amigas que eu admiro com tanta força, não apenas por seus corpos maravilhosos, mas por sua resistência e por quebrarem esses paradigmas rançosos são exemplos incríveis pra mim. Que sejam exemplos para outras mulheres que ainda estão nessa tristeza de atacar a coleguinha pela aparência. Já fui assim, eu sei, e me envergonho, mas, sabendo que mudei, sei que posso ajudar outras mulheres a repensarem essa postura diante das outras e de si mesmas.
Rachel na campanha pra Chica Bolacha, tá, meu amor?
 Rachel na campanha pra Chica Bolacha. Que mulherrrrr

Grazi Maravilhosando na rua

Fala minha língua, bb - Raquel Virgínia <3

                                                          Fala minha língua, bb – Raquel Virgínia <3

 

                          E aí, incomoda? A Preta-Rara quer saber e nós também.

 

A Renatta rebola a bunda e é acadêmica. E educadora. Pode sim, viu?

Pensem cá comigo: se a pessoa é cruel com as outras, imagina o que faz consigo mesma, né?
Abracinho para todas, todas mesmo, até as que ainda precisam de tempo para entender que estão dentro de um sistema complicado e que reproduzir isso só espalha o mal.
E muito corazón para todas ♥

                                                              Meu peito cheio de coisas lindas <3

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