Estava lendo sobre o episódio de Girls onde rola o dilema de ser amigo de ex e não consegui não me identificar.

Eu também, durante mais de 30 anos, olhava com desdém pra quem não era amiga (o) dos seus ex. Acreditava profundamente que ter um bom convívio com essas pessoas demonstrava que eu lidava com meus sentimentos de maneira madura. Que o tonto seria ter amado alguém e simplesmente tirar essa pessoa da tua vida depois. Como se, fazendo isso, fosse obrigada a obliterar um passado recente cheio de coisas legais.

Mas aí eu me relacionei com um:

idiota3(acontece, caras)

E aprendi que só conseguia ser amiga dos meus ex porque eles, assim como eu, eram pessoas que se empenhavam em ser legais. Eu sempre curti caras legais, mas um idiota ou outro acaba acontecendo na vida de todo mundo. Pode parecer besteira dizer isso, mas quando me relacionei com um idiota notei que só consegui terminar os outros relacionamentos antes desse com carinho, sem ódio, de um jeito civilizado e após ter seguido o fluxo do amor porque nos respeitávamos. E caras trouxas ignoram respeito.

É um processo complexo o de notar/aceitar que tu te relacionou com um trouxa. Se tu sabia desde o começo que ele era um trouxa, tu fica pensando na loucura que foi aceitar isso e ter tido esse relacionamento. Essas coisas nos fazem notar que, por mais que a gente converse e leia e tente romper com as porcarias destrutivas que nos fazem nos odiar, elas são como Gremlins e não morrem tão fácil.

otário(acontece, juro)

Mas se tu não sabia é ainda pior, porque tu acaba notando que tu, mesma, foi uma trouxa. E que nem todo cuidado foi capaz de te preservar disso. Outra coisa difícil é notar que uma pessoa pode ter características incríveis e ser uma trouxa. Tipo, vocês podem ter um relacionamento legal e o cara ser machistinha tonto. Ou a mina pode ser legal contigo e, quando der merda (dessas que dão em relacionamentos, nem precisa ser grave) ela se transformar numa trouxa. Ou até o clássico perfil de abusador (físico e psicológico), o cara que é muito gentil numa hora e na outra é o mais completo imbecil. Sem que nada precise acontecer para ele ser um ou outro.

Meu primeiro relacionamento com um idiota foi o primeiro que me fez ver que ser amigo de ex não era sempre a melhor opção.

Isso porque, infelizmente, a vida não é feito Friends e, as vezes, o melhor a se fazer é simplesmente parar de perder tempo com situações (e/ou pessoas) bosta. Pra mim foi exatamente isso: “consegui me livrar dessa doença, não perco mais nem um segundo aqui”. E não senti necessidade, nem vi sentido algum em continuar falando ou manter uma amizade.

Incrivelmente, essa foi a coisa mais madura que eu poderia ter feito, diferente do que acreditava até então. Continuar convivendo com uma pessoa que não foi um bom namorado/namorada é como endossar, pra ti e pros outros, que é correto te tratar assim.

errorAponte o erro: “Pessoa me encheu meu saco, me mentiu, me traiu, mas é legal”

Por isso que outra coisa que esse processo me deu foi pensar sobre o que é amizade para mim. Eu sempre coloquei amizade tão acima da maior parte das coisas e não parece correto dizer que isso é o mesmo que um contrato social.

Sim, porque muitas vezes se dizer amiga de ex é um contrato social, porque vocês tem amigos em comum ou estudam no mesmo lugar. Não estou dizendo que, por isso, deva rolar uma *guerra de tabefes* e os teus amigos tenham que odiar o cara compulsoriamente (note que dependendo do nível de idiota, isso é inevitável) ou que tu não possa ter um convívio social neutro (- oi – oi) com um ex que tenha sido só um pouco babaca. Isso sempre deixando bem claro:

liberdadeMas nós nunca nunca nunquinha mesmo vamos voltar, trouxa!

(inclusive eu teria só porque tenho preguiça de tretas, mesmo)

Mas, oh: nada disso é exatamente o que eu chamo de amizade. Amizade eu só desenvolvo com pessoas que amo, confio e admiro.

No final, a melhor coisa de terminar com um ex babaca é: terminar. Pode parecer óbvio, mas po, com pessoas legais temos motivos para querer manter o carinho e o contato. Agora, com babaca o melhor que podemos fazer é o famoso: ir ali rapidinho (e nunca mais voltar – nunca mesmo).

byeee

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