Umas décadas atrás era possível contar nos dedos os seriados com protagonistas mulheres (e os com protagonistas mulheres foda, então, era possível contar só nos indicadores). Gloriosamente, porém, o mundo está mudando e elas são cada vez mais comuns. Já falamos sobre algumas delas aqui, como Jessica Jones, The Fall, My Mad Fat Diary, Broad City, Bob’s Burguer, Gracie & Frankie e, bom, Orange is the New Black umas mil vezes.

 

Mas eu queria falar de duas série, ou melhor, de duas personagens que simplesmente abalaram minhas estruturas.

How To Get Away With Murder

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A maioria de vocês deve conhecer esta obra prima da Shonda maravilhosa. Pra quem não conhece, HTGAWM é uma série da ABC que conta a história da professora de Direito Penal Annalise Keating, que dá uma cadeira concorridíssima e escolhe os melhores alunos para trabalhar com ela, no seu escritório.

A personagem (maravilhosa) rendeu o Emmy de melhor atriz pra Viola Davis (maravilhosa). Aliás, como em todas as séries da Shonda, o ponto alto são os personagens incríveis. Porque se tua analisar as tramas não são necessariamente disruptivas e tem até uma vibe meio novela (que eu adoro), mas os personagens nunca ficam só na superfície.

Além da Annalise, que é uma mulher negra, bem sucedida, focada na carreira e não no amor, o seriado ainda tem muitas outras personagens mulheres que são, todas, complexas, interessantes e maravilhosas, cada uma ao seu jeito. E talvez o que eu mais ame na Shonda seja isso de ter trazido muitas mulheres para a televisão, no lugar de uma só. Inclusive, pra quem andava com dúvidas, isso é o famoso lugar de fala.

HTGAWM

Por que ela é foda? Admito que encaro Annalise quase como uma auto-ajuda, já que pra mim é impossível não ver um episódio e sair contagiada pela força dessa personagem. Ela é encantadora para seus alunos, empregados, amantes e pra nós. Até quem odeia ela não consegue parar de pensar nela. O paralelo que eu traço com Scandal é que, mesmo que nenhuma das duas seja uma personagem perfeita, Annalise me cativa muito mais porque é, afetivamente, independente. Ela não é uma heroína no sentido original da palavra mas, puts, como é bom uma personagem mulher cuja vida não gira em torno de ~um amor~.

Honourable Woman

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É uma série da BBC com a Maggie Gyllenhaal que conta a história de dois irmãos que assumiram o negócio do pai depois da sua morte. Na verdade a série gira em torno da irmã, Nessa Stein, e de como ela se tornou muito conhecida mundialmente por seu compromisso em promover processos de paz no Oriente Médio.

Pode parecer simples mas essa série, definitivamente, não é para todo mundo. Ela é densa, as situações são pesadas, os personagens são complexos, o próprio cenário é brutal e, além disso, é impossível encarar a história por filtros de bem e mal (ou bons e maus). Mas admito que eu fiquei tão profundamente apaixonada e tocada que chegava a sonhar com ela.

Os atores estão incríveis, a história é um thriller maravilhoso e estou me controlando para não dar nenhum spoiler, então só citarei o Guardian: “Cada frame parece cheio de significados, cada texto cheio de subtextos”

Para quem for ver, entretanto, é bom avisar que rolam cenas de violência misógina, inclusive estupro, representadas de maneira bastante gráfica.

Por que ela é foda? Porque ela é uma protagonista humana, dessas que a gente vê raramente e quando vê são homens. Além disso eu acho que ela enaltece uma característica que normalmente associamos com mulheres, a empatia, mas de uma maneira pouco previsível, porque nos lembra a força que é necessária para manter essa postura. E, por fim, ela é uma mulher em um ambiente misógino e de guerra e não sai ilesa nem se porta como uma heroína alheia a tudo.

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