Ultimamente tenho tirado muitas fotos de calcinha, de sutiã, de maillot.

E posto mesmo.

Por que eu posto?

Porque cansei de me odiar. Por mais que meu corpo não esteja tão fora do padrão e não seja uma grande afronta ao status quo, sinto que isso não só me ajuda, mas ajuda muitas outras mulheres. Outras mulheres que não usam biquíni na praia por vergonha da barriga. Outras mulheres que transam de luz apagada por vergonha de seus corpos. Outras mulheres que não são magras, mas também não são gordas e vivem confusas, pois só se fala em dois corpos: gordo e magro. O gordo é o rechaçado. O ridicularizado. E o magro, bom, é o que vemos por todos os lados. Não tem nada diferente disso na televisão, nas revistas, na publicidade. Há corpos magros e brancos por todos os lados e algumas raras exceções negras e magras. É só isso que vemos. E isso torna bastante difícil para que reconheçamos nossos próprios corpos.

Não sou gorda.

Também não sou magra.

E estou bem cansada de ver o nosso valor associado a forma física, seja ela qual for.

É verão. Está cheio de mulheres infelizes com seus corpos, mulheres sofrendo com a culpa de não ter um “corpo de praia”, o mítico corpo de praia. Não tirando a canga, não aproveitando, não relaxando. Sofrendo pelo que comeram, sofrendo pelo que estão comendo. Vivendo em privação e chamando de “vergonha na cara”. Por que deveríamos ter vergonha dos nossos corpos?

Outro dia postei isso:

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Senti que rolou uma catarse. Amiga marcando amiga, olha só, amiga, lembrei de você. E tenho certeza que meu singelo textinho tirou o peso das costas de algumas minas. Tenho certeza que minha fotinho trouxe alívio pra várias minas que estavam se sentindo inadequadas. Queria muito que alguém tivesse me dito isso quando eu era uma adolescente que se entupia de remédio pra emagrecer e sofria achando que jamais seria aceita se não fosse perfeita, magra, inteligente, magra, magra. Então estou dizendo agora, aos 36 anos, pra minas de todas as idades: tudo bem com o seu corpo.

Claro que é “mais fácil” se aceitar quando seu corpo se aproxima do ideal de beleza esperado. Muito mais fácil pra uma mulher branca e não-gorda. Mas ninguém, eu disse NINGUÉM está livre das pressões. Nem a mina mais dentro do padrão está livre. Nem a loira mais loira, branca e magra está livre, pois ela é pressionada pra seguir assim. Nós somos desencorajadas a gostar dos nossos corpos, sejam eles como forem.

Se você for gorda, que horror, precisa emagrecer.

Se você for muito magra, olha, tem que dar uma encorpadinha.

Se seus peitos forem pequenos precisa de silicone. Se forem grandes não pode usar decotão pra não ficar vulgar.

Se o seu cabelo for crespo precisa “domar os cachos”.

E se você estiver dentro de todo esse padrão, nossa, parabéns, continue assim pra sempre, magra, lisa, linda, jovem.

Porque envelhecer também não pode, né.

Chega, chega, chega.

E repito: se não tinha lugar para corpos diversos no mundo agora vai ter e o mundo que se vire. Nós existimos, vamos parar de nos odiar e é assim que vai ser. Não é fácil. Mas vai rolar.

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Ilustra da linda Kelly Bastow

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