E saíram as sete vencedoras da 10ª edição do Prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC “Para Mulheres na Ciência”, único programa no Brasil que é voltado às mulheres cientistas, realizado em parceria com a UNESCO no Brasil e com a Academia Brasileira de Ciências (ABC)!

 

O Prêmio

O L’Oréal-UNESCO For Women in Science é o primeiro programa dedicado às mulheres cientistas do mundo. Foi fundado em 1998 com a convicção de que o mundo precisa de mais mulheres cientistas, pois o mundo em si precisa da ciência e a ciência precisa de mais mulheres produzindo, pesquisando e sendo reconhecidas por seus trabalhos.

Assim, o programa busca por estas mulheres e suas pesquisas, identificando, recompensando e incentivando seus trabalhos. O programa também oferece bolsas de estudos por meio de premiações locais para promissoras pesquisadoras. Já são 17 anos de enaltecimento às cientistas, em 115 países que precisam lidar com muitas barreiras na carreira como o machismo de orientadores e colegas, problemas de ranking por saírem de licença-maternidade, precisar produzir mais do que os pares homens.

Duas mil mulheres, 87 laureadas foram homenageadas pela excelência de suas pesquisas no programa global e 1987 Fellows, talentosas jovens mulheres que receberam bolsas-auxílio para prosseguir com seus projetos de pesquisa que prometem grandes resultados. Ao longo da década, o prêmio já reconheceu e promoveu o trabalho de 68 jovens cientistas de diversos estados do país. Foram distribuídos mais de US$ 1,3 milhão (convertidos em reais) em bolsas-auxílio.

Para celebrar o aniversário de 10 anos, diversos seminários foram realizados em universidades brasileiras, com a participação das vencedoras de anos anteriores, para discutir e estimular a ciência no Brasil e a participação feminina no desenvolvimento de pesquisas.

Os critérios

As vencedoras são selecionadas pela qualidade de seus currículos e pelo potencial de suas pesquisas, desenvolvidas em instituições brasileiras. Como prêmio, cada uma receberá uma bolsa-auxílio de US$ 20 mil (convertidos em reais), para dar prosseguimento às pesquisas. Em 2015, mais de 400 projetos foram inscritos. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 21 de outubro, no Rio de Janeiro.

Física

Dra. Karin Menéndez–Delmestre – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professora adjunta no Observatório do Valongo (UFRJ) – autoridade no campo da evolução de galáxias. Busca entender os processos de suas formações, por meio de observações da Via-Láctea e de universos distantes. Ao longo de sua carreira, a cientista já produziu 37 artigos e mais de 1.200 citações, das quais 350 referem-se às publicações de primeira autora.

Química

Dra. Elisa Orth – Universidade Federal do Paraná (UFPR) – busca resolver problemas genéticos relacionados a doenças como câncer, fibrose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outras. Visa também destruir substâncias químicas nocivas presentes em agrotóxicos ainda utilizados no Brasil. Ela e sua equipe desenvolvem sistemas catalisadores e, no futuro, pretendem quebrar e substituir enzimas “doentes” do código genético por enzimas sintéticas “sadias”, além de tornar os alimentos mais saudáveis e seguros, sem comprometer sua qualidade.

Matemática

Dra. Cecília Salgado – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – estuda códigos corretores de erros, fundamental na solução de falhas na transmissão de informação por sistemas de comunicação como linhas telefônicas ou discos rígidos. Acredita que o prêmio vem consolidar seu trabalho desenvolvido nos últimos 6 anos e espera que este reconhecimento abra portas e desperte o interesse de mais mulheres para a Matemática.

Genética

Dra. Tábita Hunemeier – Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora do núcleo permanente do Consortium for the Analysis of the Diversity and Evolution of Latin America – seu projeto visa elucidar as bases genéticas de características morfológicas dos nativos americanos (indígenas), para tentar encontrar variações genéticas que os diferenciam fisicamente das populações de outros continentes.

Psiquiatria

Dra. Elisa Brietzke – Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – estuda se o envelhecimento precoce de indivíduos bipolares, com a progressão da doença. Objetivo futuro é desenvolver e testar medicamentos capazes de bloquear o seu avanço. A cientista, que se orgulha de ter feito sua formação em instituições brasileiras. “Isto demonstra como um cientista, em especial uma mulher cientista, também alcança o sucesso se permanecer em seu país”, avalia.

Farmácia

Dra. Daiana Ávila – Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – lidera o estudo sobre uma nova terapia para a Esclerose Lateral Amiotrófica, doença genética, degenerativa e sem cura. “Fiquei muito feliz e orgulhosa em receber esse prêmio por um estudo realizado aqui no interior do Rio Grande do Sul. O reconhecimento vai ajudar na valorização do uso de modelos alternativos na investigação científica, comuns nos Estados Unidos e na Europa, mas ainda pouco difundidos no Brasil”, explica a cientista.

Medicina

Dra. Alline Campos – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) – busca uma forma de produzir medicamentos mais efetivos e que produzem menos efeitos adversos, para tratar pacientes que sofrem de ansiedade e depressão. “Este reconhecimento profissional é fundamental para cientistas que estão, como eu, iniciando suas carreiras. Receber um prêmio dessa importância confirma que estamos no caminho certo”, afirma a paulista.

Um grande abraço e um beijo nestas e tantas outras mulheres na ciência por suas conquistas, descobertas e pela luta diária por reconhecimento. Lugar de mulher é na ciência e onde mais ela quiser!

, ,