Segundo dois estudos, um de 2007 e um de 2013, entre 50% e 60% dos jovens já teve um relacionamento que se parece mais com amizade do que com romance, apesar de envolver sexo. Mas o que, exatamente, isso quer dizer?

Ainda segundo o estudo de 2007 (Negotiating a Friends With Benefits Relationship), o grande definidor do que é, exatamente, esse tipo de relacionamento é a ausência de paixão:

Existe um desejo de estar com esta outra pessoa, que preenche necessidades importantes mas, ao mesmo tempo, ter um envolvimento assim é como dizer “OK, isso não evoluirá para nada apaixonado” – porque traria o risco de um romance real.

E a vontade de não se comprometer é o que leva a maioria das pessoas a ter uma “amizade com benefícios”, que é vista como algo seguro e fácil. Na verdade, diferente do que mostram os dois filmes mais recentes (e virtualmente iguais) sobre o tema, menos de 10% dos relacionamentos acaba se tornando um envolvimento romântico.

Mas aí está o paradoxo da coisa- a grande vantagem também é o grande motivo de ansiedade nesse tipo de relacionamento. Basta fazer um busca rápida no Google para descobrir que, apesar de se propor a ser algo leve e fácil, essas amizades tem regras bastante rígidas. A principal delas é: não se envolver.

amizade-colorida

Segundo um terceiro estudo, da Michigan State University.

Uma das coisas mais interessantes desse estudo é a ideia que as pessoas nesses relacionamentos tem um medo profundo de desenvolver sentimentos pela outra pessoa, porque esses sentimentos podem não ser recíprocos.

só-sexoSem relacionamentos. Sem emoções. Só sexo.

E essa ideia de que a “amizade com benefícios” deve ser algo leve e simples aparece de uma maneira quase impositiva também no que se refere ao tipo de conversa que se pode ter. Segundo alguns entrevistados dessa pesquisa online, coordenada pela PhD Kendra Knight “não se deve ~trabalhar~ nesse tipo de relacionamento”, ou seja, as conversas sobre sentimentos não tem espaço aqui. Ainda que os homens também sintam certa ansiedade em parecer grudentos, para algumas mulheres isso aparece como um profundo medo de ser vista como “a mina louca” que debate sobre os “limites” do relacionamento.

O problema de definir que não podemos desenvolver sentimentos é que, às vezes, sentimentos acontecem mesmo que a gente não queira que eles aconteçam ou evite falar sobre eles.

Isso é um motivo pra não ter uma “amizade colorida”? Claro que não. Mas, talvez, isso seja um motivo pra parar de se preocupar e aceitar que não temos controle sobre todas as coisas da vida (e isso não precisa ser ruim).

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Admito que tenho certa dificuldade com essa mania de nomear os relacionamentos. Às vezes parece que damos um nome pros relacionamentos porque queremos que eles se comportem de uma forma específica, mais do que porque eles são daquela forma, necessariamente. Por exemplo, depois que a gente chama um relacionamento de namoro, começamos a nos comportar de um certo jeito e, apesar de ninguém nunca ter recebido o manual das namoradas, achamos que essa é a forma correta de namorar.

Tá certo, eu tou me defendendo aqui. A verdade é que nunca fui boa em categorizar meu afeto e uso menos isso que a maneira como as coisas acontecem pra definir a importância que dou para a pessoa e para a presença dela na minha vida.

Um jeito que raramente falha, comigo, é o quanto a pessoa me faz feliz e não de saco cheio quando está por perto. Além disso, sou extremamente sincera. E se temos objetivos diferentes, bom, melhor resolver numa boa, conversando, que viver de migalhas esperando que isso vire, algum dia, algo mais.

(e pode me chamar de ‘mina louca’ que ‘debate limites do relacionamento’ tou nem aí, debato mesmo, debato tudo, inclusive)

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