Esta semana estava lendo o Questão de Gênero, da Jarid (inclusive recomendo), e vi essa pesquisa, #MeninaPodeTudo, com brasileiras muito jovens (entre 14 e 24 anos), sobre o impacto do machismo na vida delas.

Os resultados são alarmantes e deveriam nos fazer notar que mais uma geração de mulheres está crescendo traumatizada, refém do medo. Por isso recomendo que leiam o texto da Jarid e que vejam o vídeo.

Mas eu quero falar dos depoimentos dessas jovens mulheres maravilhosas, que me abalaram tanto e que ainda estou tentando processar. Em especial o da Kal Lopes, 21 anos, de Salvador. Ela diz:

A sociedade, em si, espera que a gente esteja sempre em um lugar de espera, sabe? De depender do outro… especialmente do homem.

A primeira vista podemos tomar essa declaração por um troço meio bobo, especialmente ali dividindo espaço com tantos relatos de violência e medo. Mas a verdade é que isso é uma constatação brutal: nós não estamos de posse da nossa vida. Ou, ao menos, no que diz respeito à sociedade, não deveríamos estar.

Essa imposição de um comportamento que é, ao mesmo tempo, infantilizado e desumanizado está no centro de tanto equívoco, desde a forma como somos criadas para nos comportar até a forma como somos ensinadas a pensar.

E talvez tudo comece com sermos levadas a acreditar que somos coadjuvantes na nossa própria existência, que o nosso valor vem apenas atrelado ao outro. Ou seja, nessa altura do campeonato, ainda é uma grande ousadia ser mulher e se colocar como sujeito da sua própria vida.

E isso não tem nada de bobo, isso é retirar da mulher a dignidade mais básica através de uma cultura que quer nos levar a acreditar que, por sermos menos, merecemos menos. E que, por isso, comportamentos violentos ou desumanizantes não são tão terríveis assim.

chega-dissoChega dessa merda

Acontece que nós, mulheres, cada vez mais, sabemos que nada disso é verdade. Mas ainda temos que lidar com um mundo que nem sempre sabe. Por isso demandamos e precisamos de mudanças.

E, talvez, um grande processo de mudança comece com: existir. Ser mulher e sujeito da própria vida é um processo constante, mas acaba fazendo com que muitas pessoas à nossa volta se dêem conta de que, para a mulher, existir como protagonista da sua vida ainda não é um direito nato. Como disse Camus

A única forma de lidar com um mundo que não é livre é se tornando tão absolutamente livre que a tua própria existência vire um ato de rebeldia.

, , , ,