Dia desses a Betty Faria, com a desculpa de que qualquer um pode dizer o que quiser, disse em uma entrevista que tem repulsa de mulher gorda.

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Lendo isso metade de mim quer organizar um sentaço para todas as gordas do mundo sentarem em cima dela e darem um motivo real para incomodação, mas a outra metade morre de pena pois padrões de beleza, sociedade, etc. E imagina que horror passar 74 anos travando uma batalha tão ridícula, não deve ser uma vida maneira.

Mas esse post não é para a Betty, é para você que também está nessa batalha. Tenho duas coisas muito importantes para dizer sobre esse assunto.

Primeiro que esse discurso de ódio choca e causa revolta e todo mundo sai correndo para dizer “que absurdo!”, mas a grande maioria das pessoas reproduz o mesmo pensamento todos os dias. Não com essa falta de filtro e grosseria fenomenal, mas reproduz. Cada vez que você olha uma foto sua e comenta com horror como está gorda, o que você está dizendo é que sente repulsa de mulheres gordas. Quando você chora que engordou um quilo, você está dizendo que gordura te incomoda profundamente. Quando enche o saco falando da sua dieta e quanto pretende emagrecer, está falando sobre sua batalha pra não ser uma velha gorda.

Nãããããão, mas isso é só comigo, Polly. EU não quero ser gorda, não tenho problema com as outras gordas do mundo. 

Amiga, mesma coisa. Se olhar no espelho e se achar um monstro por estar gorda é sentir rejeição contra mulheres gordas. Betty Faria lutou a vida inteira para não ser como eu e você faz o mesmo.

Ai, então eu não posso querer emagrecer? Que ditadura da obesidade é essa?!?

Pode, cara. Pode sim. Porém se você sai por aí dizendo para quem quiser ouvir sobre o horror que é estar gorda e como aqueles dois quilos que você ganhou nas férias foram a pior coisa que aconteceu na sua vida não vale achar que está muito acima da Betty Faria, né? Sua gordofobia também é real e machuca tanto quanto a dela.

A outra coisa que eu queria dizer, é: cuidado que essa batalha não tem fim. A própria Betty Faria te prova isso com uma entrevista mais antiga:

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Tanta restrição alimentar, remédio, exercício e outras privações não vão garantir que as pessoas não encham o saco por causa do seu corpo, então melhor viver em paz com ele do que travando uma guerra que não dá pra ganhar.

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