Esses dias postei uma foto minha deitada no quartinho de fundos que foi minha primeira morada em SP, contando que foi ali que escrevi meu primeiro livro.

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Os comentários foram lindos, muitos de gente que de fato me acompanhava e foi um post que me deixou bem feliz.

Mas sempre tem um idiota, né?


gatinho

Claro que não foi “só um comentário”. Foi pra alfinetar. Foi pra encher o meu saco. E encheu.

Fiquei incomodadíssima.

Pensei em apenas apagar.

Pensei em responder “sim, eu sofria de anorexia e eventual bulimia e era viciada em remédios para emagrecer”.

Pensei em responder “pois é, muito melhor hoje, né :)”.

Pensei em responder “estou falando de escrever e você está falando do meu corpo?!”

Pensei em várias respostas. Pensei que responder era dar moral pra babaca, um só babaca no meio de tantos comentários carinhosos e lindos.

Pensei em simplesmente desencanar, mas não consegui. Não consegui porque pessoas que tiveram distúrbios alimentares jamais superam completamente esses problemas. Já escrevi aqui outras vezes sobre essas questões de corpo pois é um assunto que sempre pegou muito pra mim. Nunca me senti tão bem comigo quanto hoje, mas não é por causa do meu corpo que eu, de fato, passei a curtir e aproveitar; é por causa da minha cabeça. É porque consegui me livrar, pelo menos em parte, da terrível dismorfia corporal que me acompanhou por toda a adolescência e boa parte da vida adulta. É porque eu consegui transcender o ódio que sentia do meu corpo por não ser como eu achava que deveria. É porque passei a conversar sobre isso com outras mulheres e descobri que a maior parte delas sofre em algum nível com os padrões de beleza. É porque eu entendi que corpo é pra ser aproveitado, curtido, tocado, não escondido e odiado.

Então, cara pessoa babaca, sim, eu já fui magra, já fui até mais magra do que aquilo e considerava uma grande vitória, mesmo que isso me custasse nacos de sanidade que eu nunca mais recuperei. Mesmo que nunca estivesse bom. Mesmo que eu nunca tenha sido gorda. Já fui anoréxica porque achava que era a única maneira de ser aceita e de ter amor. Já fui magra e gordofóbica porque venho de um lugar em que o valor das mulheres está diretamente atrelado a sua imagem e sua capacidade de se enquadrar no molde inatingível de mulher perfeita.

Já fui magra e era muito infeliz.

Hoje eu sou bem gostosa e nunca estive tão bem. Do corpo, da cabeça, de tudo.

kiss my ass

Então beija a minha bunda grande e vá ser feliz em vez de comentar merda no instagram dos outros.

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